Sociedade | 25-05-2020 07:00

Bombeiros ainda acreditam que Francisco Cruz apareça nas margens do Tejo

Bombeiros ainda acreditam que Francisco Cruz apareça nas margens do Tejo

Desaparecido há cinco meses no rio em Santarém o jovem de 30 anos, natural da Golegã, que residia e trabalhava em Alpiarça, só pode ser considerado morto ao fim de dez anos caso não seja encontrado.

Francisco Cruz, de 30 anos, desapareceu no Tejo em Santarém há cinco meses, mas os bombeiros acreditam que o corpo venha a aparecer mais tarde ou mais cedo se ainda estiver no rio. Caso tenha passado a zona de Lisboa e entrado no mar já vai ser muito improvável. Até que apareça o corpo do jovem, natural da Golegã e residente em Alpiarça, concelho onde trabalhava numa empresa de produção de vinho, é considerado como “ausente” à luz do Código Civil. Se nunca aparecer a lei só pode declarar a morte ao fim de dez anos.


O desaparecimento ocorreu no dia 22 de Dezembro de 2019, altura em que o seu carro foi detectado à 01h39 parado a meio da ponte D. Luís, entre Santarém e Almeirim. Há onze anos um caso idêntico com o intendente do comando distrital de Santarém da PSP, Aguinaldo Cardoso. O corpo só foi encontrado ao fim de seis meses por dois pescadores de Santarém que tinham ido pescar na zona de Muge, concelho de Salvaterra de Magos. O segundo comandante distrital, que se tinha atirado da mesma ponte a 27 de Março de 2009, estava na margem ainda com o crachá da polícia, os cartões de identificação e o telemóvel. Mas foi preciso esperar-se mais dois meses pela confirmação da identidade, obtida através de exames de ADN feitos pelo Instituto de Medicina Legal.


Os Bombeiros Municipais de Santarém, agora Sapadores, foram os que coordenaram as buscas por Francisco Cruz, suspensas ao fim de duas semanas. O comandante da corporação, José Guilherme, recordando o caso do intendente, tem esperança que o corpo venha a aparecer, “mais tarde ou mais cedo”.

Mas se isso não acontecer ao fim de dez anos é declarada a “morte presumida”, em que mesmo sem corpo, nem provas factuais, se presume que a pessoa faleceu. “Para declarar a morte presumida é necessário que a pessoa não esteja presente no local em que seria natural estar, nem se conheça o seu paradeiro”, explica o advogado Luís Valente, de Santarém.

Família à espera do corpo para fazer o luto

A avó paterna de Francisco reza para que apareça o corpo para que se possa fazer o luto e o funeral do neto. “Assim é mais doloroso fazer o luto”, desabafa. O pai, José Cruz, proprietário de um café no Frade de Baixo, Alpiarça, nunca pensou que um jovem “com tanta alegria de viver” pudesse atirar-se da ponte, conforme disse a O MIRANTE dias após o desaparecimento.


Francisco Cruz, pai de uma menina de cinco anos, nunca teve qualquer conversa com o pai sobre algum problema que o atormentasse. Não deixou qualquer indício ou carta escrita.

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