Sociedade | 02-08-2020 12:30

Descoberto tesouro artístico no Tribunal de Torres Novas

Descoberto tesouro artístico no Tribunal de Torres Novas
CULTURA

Restauro de uma pintura de que não havia registo veio a revelar uma obra de arte importante, talvez a última de Manuel Lapa, destacado pintor da segunda geração de artistas modernistas.

O quadro no átrio do primeiro andar do Palácio da Justiça de Torres Novas é uma obra que chama a atenção de quem gosta de arte, mas até agora nada se sabia sobre a pintura de cavalete, que veio a revelar-se um tesouro. No âmbito do restauro da pintura sobre madeira, que estava bastante degradada, veio a descobrir-se que o quadro tem um alto valor artístico e cultural, que era desconhecido, tal como não se sabia quem era o autor. A pintura é de Manuel Lapa, nome artístico de D. Manuel Vasconcellos, filho de conde, nascido em 1914 em Lisboa, e que fez parte da segunda geração de artistas modernistas portugueses.


Já se sabe que a obra foi terminada no ano da morte do pintor em 1979. Segundo Nuno Proença, um dos elementos da equipa que recupera a obra de arte, se esta não foi a última obra do pintor, foi uma das últimas em que esteve envolvido. Na altura Manuel Lapa já não estava bem de saúde e sabe-se que a pintura, pelas suas dimensões, teve a colaboração de outras mãos. O Ministério da Justiça não tinha o registo da obra e esta tem vindo a ser estudada por especialistas em história da arte, concluindo-se que é uma pintura importante.


A pintura representa as Cortes de Torres Novas de 1438 (juramento de D. Afonso V) é a segunda obra mais importante da Comarca de Santarém, que abrange todos os tribunais do distrito de Santarém. A mais valiosa é o fresco que representa as cortes de Almeirim na sala de audiências principal do palácio da justiça de Santarém. A recuperação do quadro de Torres Novas insere-se numa estratégia da comarca na recuperação do património artístico dos tribunais. Está já em andamento o restauro do mural da sala de audiências do palácio da justiça de Tomar, do pintor Guilherme Camarinha, intitulada “A devoção da Várzea Grande ao povo de Tomar”. Está ainda prevista a recuperação da escultura exterior do Tribunal de Benavente, da autoria de Dorita de Castel’Branco.


Para o juiz presidente da Comarca de Santarém, com esta acção pode-se estar a criar uma nova filosofia, que é a das comarcas se preocuparem com a parte artística. Luís Miguel Caldas diz que a preocupação não deve ser só os processos, porque os tribunais têm um património muito interessante, com acervos que se destacam no panorama das artes em Portugal, sendo um veículo também da sua promoção. Além das obras de arte também há uma parte arquitectónica de relevância, como é o caso do edifício de Rio Maior, uma referência dos anos 60, do arquitecto Formosinho Sanches.

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