Sociedade | 18-10-2020 07:00

Agricultores são os mais prejudicados pelo fecho da passagem de nível do Peso

Agricultores são os mais prejudicados pelo fecho da passagem de nível do Peso
REPORTAGEM COMPLETA

Dezenas de agricultores com propriedades na zona das Caneiras, Santarém, são obrigados a fazer diariamente o dobro dos quilómetros devido ao fecho da passagem de nível do Peso.

Para além dos custos em combustível, o tempo perdido e o desgaste das viaturas também são contrariedades que surgiram depois do encerramento daquela passagem rodoviária. Por isso pedem que se encontre uma solução o mais rapidamente possível.

Meia centena de agricultores com propriedades nos campos das Caneiras, nos arredores de Santarém, queixam-se dos enormes prejuízos que o encerramento da passagem de nível do Peso lhes trouxe. Os trabalhadores, com a interdição daquela passagem rodoviária, são agora obrigados a fazer o dobro dos quilómetros com os reboques carregados de produtos, o que implica mais custos no combustível, mais tempo de trabalho perdido e mais desgaste nas viaturas.

O MIRANTE foi às Caneiras, numa sexta-feira à tarde, conversar com cerca de uma dezena de agricultores que se dizem frustrados pelas perdas que estão a ter e pedem que se encontre rapidamente uma solução para o problema.

Ricardo Baptista é um dos agricultores mais lesados. Na última campanha de tomate foi obrigado a percorrer todos os dias mais meia centena de quilómetros do que na altura em que a passagem de nível estava aberta ao trânsito. Ricardo transporta a produção para uma grande empresa em São João da Ribeira, concelho de Rio Maior. Actualmente tem de ir com as galeras de 25 toneladas até à Cruz do Campo, Cartaxo, voltar para trás, e seguir o caminho até São João da Ribeira. “Demoro cerca de duas horas a fazer um trajecto que costumava fazer em pouco mais de meia hora”, afirma.

Os prejuízos são muitos: na última campanha gastou mais cinco mil euros em combustível do que habitualmente gastava; o facto das estradas até Cruz do Campo estarem em más condições provocou um enorme desgaste nos veículos; e, em média, fazia menos um transporte por dia devido às muitas horas de trabalho perdidas na estrada. “Alguém tem de arranjar uma solução para este problema. Não podemos continuar a ser prejudicados desta maneira”, sublinha.

Vera Alagoa, dona de mais de 100 hectares de campo nas Caneiras, diz que só existem duas soluções: ou constroem uma passagem de nível mais larga e mais afastada das habitações, ou requalificam a ponte que existe no Vale de Santarém, que serve de alternativa à passagem de nível mas que neste momento tem a sua travessia limitada a veículos com peso até 10 toneladas.

A empresária dá mais dois exemplos de como esta situação está a afectar, e muito, os agricultores que ganham a vida nos campos das Caneiras. “Para vir fazer uma sementeira que não dura mais de uma hora, somos obrigados a fazer duas horas de viagem de tractor. Pior ainda são os trabalhadores que têm casa do outro lado da linha, a dois minutos das terras, e que agora são obrigados a subir a Santarém para virem trabalhar”, explica.

Duas mortes em quatro anos

Na passagem de nível da estrada do Peso houve dois acidentes, cada um com uma vítima mortal, nos últimos quatro anos – um em 8 de Novembro de 2016 e outro em 22 de Abril de 2020. Em ambos os casos os camiões não conseguiram atravessar a ferrovia a tempo de evitar o embate do comboio.

Perante a situação, a empresa pública Infraestruturas de Portugal (IP) decidiu encerrar, há cerca de seis meses, a travessia rodoviária devido à sua perigosidade. Questionada recentemente por O MIRANTE a esclarecer se a medida se tornou definitiva ou se há alguma solução prevista, a IP pouco ou nada adiantou.

Recentemente, o presidente da Câmara de Santarém, Ricardo Gonçalves, explicou a O MIRANTE que teve indicações por parte da IP de que a solução poderá passar pela construção no local de uma passagem desnivelada. Uma opção que a câmara já vinha defendendo há alguns anos junto da IP.

Até lá, e sem existir ainda datas definidas para esta resolução, os agricultores vão continuar a trabalhar, tendo já de seguida uma campanha do milho para fazer que, certamente, vai trazer muitos prejuízos às empresas.

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