Sociedade | 23-10-2020 12:30

Pandemia empata nova Casa do Benfica em Santarém

Pandemia empata nova Casa do Benfica em Santarém
DESPORTO

Presidente do SL Benfica e recandidato ao cargo esteve na cidade e admitiu atrasos na concretização da obra, que chegou a ser apontada pelo clube para Junho de 2019, muito antes da aparição da Covid-19.

O projecto da nova Casa do Benfica de Santarém já está concluído, depois de terem sido feitas algumas alterações de pormenor, na parte do restaurante, por imposição do delegado de saúde de Santarém. No entanto, não existe ainda uma data prevista para a obra arrancar, nem tão pouco a assinatura do protocolo entre o clube e a Câmara de Santarém, proprietária do espaço no Jardim da Liberdade onde vai ser construída essa infra-estrutura.

O presidente do Sport Lisboa e Benfica, Luís Filipe Vieira, garante que o projecto não está na gaveta e só ainda não está executado e aberto ao público por causa da pandemia de Covid-19. As declarações foram feitas no dia 13 de Outubro, no Teatro Sá da Bandeira, em Santarém, numa sessão de esclarecimento no âmbito da recandidatura de Vieira ao cargo nas eleições marcadas para 30 de Outubro.

Num auditório a meio gás, poucos foram os sócios que se movimentaram para dar o apoio a Luís Filipe Vieira. Cerca de 30 pessoas marcaram presença, mas algumas faziam parte da comitiva do presidente dos encarnados. Nenhum eleito da Câmara Municipal de Santarém marcou presença na sessão.

Álvaro Gaivoto, presidente da Casa do Benfica de Santarém, não perdeu a oportunidade para deixar a mensagem para que as obras arranquem o mais rápido possível. “É uma pena as obras não estarem prontas pelas comemorações dos 60 anos da Casa do Benfica de Santarém”, lamentou. Ainda assim espera que no início de 2021 possa ver “movimentações” nesse sentido.

As obras têm a duração prevista de cerca de quatro meses e um investimento que ronda um milhão de euros, mais 600 mil euros que o inicialmente previsto dadas as alterações feitas ao projecto e ao estado “bastante degradado” em que se encontram as antigas cafetarias do Jardim da Liberdade, actualmente devolutas, referiu o director do departamento das Casas do Benfica, Jorge Jacinto.

O projecto piloto das novas Casas do Benfica, que arrancará em Santarém, terá diversas valências para além de serviços e uma loja ligados ao clube. Vai também ter um restaurante. Estima-se que sejam criados cerca de 40 postos de trabalho.

Assunto não é pacífico entre políticos

Recorde-se que no final de 2018 a Câmara de Santarém deliberou a desafectação do domínio público para o domínio privado do município das cafetarias do Jardim da Liberdade, em Santarém, com a finalidade de as ceder ao Benfica, o que suscitou polémica na assembleia municipal. Tratou-se de um passo administrativo necessário ao desenvolvimento do processo, mas alguns deputados municipais insistiram sobre a necessidade dessa transição e quiseram saber mais alguns contornos do negócio.

Já em Março de 2019 a Associação Mais Santarém – Intervenção Cívica (AMSIC) manifestou-se publicamente contra a intenção do município em ceder as cafetarias do Jardim da Liberdade, alegando que a cedência desses edifícios é “atentatória dos interesses da cidade e dos munícipes”. Entre os argumentos da associação, referia-se que o projecto visa ocupar um espaço dos mais nobres e centrais da cidade, que “não pode ser cedido a um clube nacional e respectivo emblema”.

A contestação continuou em finais de Maio de 2019 quando 32 pessoas lançaram um manifesto em que apelavam ao presidente da Câmara de Santarém que repensasse a sua posição e que procurasse um destino mais abrangente para aqueles espaços. O documento não contestava o projecto em si mas a sua localização, por se tratar de um espaço nobre da cidade que, na óptica dos subscritores, não deve ser usado para “fins clubísticos que possam dividir e condicionar a sua frequência a parte da população do concelho”.

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