Sociedade | 25-10-2020 12:30

Pais estão a prescindir dos transportes públicos em Benavente

Pais estão a prescindir dos transportes públicos em Benavente
SOCIEDADE

Mais veículos e maior frequência de carreiras é a solução defendida para que os filhos possam voltar a usar os transportes públicos para chegar à escola e voltar para casa.

Ana Reis tem uma filha a frequentar o 11º ano da Escola Secundária de Benavente. De manhã costumava deixá-la na paragem de autocarros, mas agora opta por levá-la, em viatura própria, até à porta da escola. “Foi opção, por medo e porque sempre que via o autocarro chegar a Samora Correia já ia cheio e não entrava mais ninguém. É inadmissível que numa altura destas continuem com esta diminuição nos autocarros, com alunos a ficar pelo caminho e os que entram a viajar obrigatoriamente lado a lado com outro passageiro”, diz a O MIRANTE.

Tal como os restantes pais ouvidos por O MIRANTE na primeira hora de entrada dos alunos da Escola Secundária de Benavente, Ana Reis alerta para a necessidade de um reforço dos veículos, horários e fiscalização. Fonte da administração da Ribatejana, empresa de transportes que presta serviço no concelho, admitiu ao nosso jornal que nos primeiros dias de aulas “houve alguma confusão” porque os veículos ficaram rapidamente lotados, obrigando alguns utilizadores a ficar nas paragens.

Quase um mês depois, refere a transportadora, essa situação já não se verifica uma vez que os horários foram ajustados, tendo inclusive em conta as necessidades dos alunos que usam as carreiras para chegar à escola.

O que os pais pedem é impossível de cumprir

Na manhã em que O MIRANTE foi avaliar como se circula de autocarro em hora de ponta, em Benavente e Samora Correia, uma motorista da empresa diz que muitos alunos ficam para trás porque querem. “Às vezes nem está cheio e já não entram. Depois vêm à Ribatejana pedir justificações porque chegaram atrasados à aula”, afirma.

A mesma motorista diz ainda que muitos pais têm reclamado junto da empresa, mas que o que pedem, “um passageiro sentado por cada banco de dois” é impossível de cumprir, por falta de meios físicos, humanos e de rentabilidade.

Mas para uma aluna que faz uma maratona de transporte de Samora Correia a Salvaterra de Magos sentada num banco de autocarro, colada ao passageiro do lado, o desconforto é evidente. “Só não vou de carro porque não tenho quem me leve, porque pedem-nos para manter distancias e nos transportes públicos onde anda toda a gente é isto que se vê”, diz a estudante de Cozinha e Pastelaria, que pede para não ser identificada.

O presidente da Câmara de Benavente, Carlos Coutinho (CDU), também mostrou alguma preocupação com o assunto, em reunião do executivo, depois de questionado pela vereadora Florbela Parracho (PS), que falou do desagrado que lhe tem chegado da parte de encarregados de educação. “Estamos a acompanhar no sentido de pressionar para que haja uma alteração no modo como os transportes estão a ser disponibilizados”, referiu o autarca.

Outra preocupação tem a ver com o decréscimo do número de utilizadores da Ribatejana que baixou cerca de 70 por cento, segundo disse Carlos Coutinho, advertindo para a necessidade de os transportes públicos terem de voltar a ser “atractivos”, sob pena de os utilizadores voltarem a utilizar apenas a viatura própria.

A pandemia de Covid-19 veio alterar o funcionamento dos transportes públicos fixando a lotação máxima nos dois terços da sua capacidade de transporte, obrigando ainda a limpeza diária, desinfecção semanal e higienização mensal dos veículos, instalações e equipamentos utilizados pelos passageiros e outros utilizadores.

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