Sociedade | 19-11-2020 17:14

Cancro do pâncreas mata quase 1.600 pessoas por ano em Portugal

Cancro do pâncreas mata quase 1.600 pessoas por ano em Portugal
foto DR

Sobrevivência a este tipo de tumor é das mais baixas, mas um diagnóstico precoce do pode mudar as taxas de mortalidade.

A associação Europacolon alertou para a importância de um diagnóstico precoce do cancro do pâncreas para mudar as taxas de mortalidade deste tumor, que em Portugal mata quase 1.600 pessoas por ano.
Em comunicado, a Europacolon lembra que este é o tumor maligno do sistema digestivo com pior prognóstico, sendo actualmente a terceira causa de morte por cancro na Europa.
“A sobrevivência a este tipo de tumor é das mais baixas. Só 2% a 8% dos doentes ultrapassam os cinco anos de sobrevida. A sobrevivência depende muito do estadio da doença à data do diagnóstico”, lembra Vítor Neves, presidente da Europacolon Portugal – Associação de Apoio ao Doente com Cancro Digestivo.


O responsável frisa que, “se o diagnóstico for precoce e puder haver intervenção cirúrgica para remoção do tumor, a sobrevida aumenta muito” e que “há doentes com mais de 12 anos de vida com a doença, devido a um diagnóstico atempado”.


No Dia Mundial do Cancro do Pâncreas, que se assinala esta quinta-feira, 19 de Novembro, a Europacolon junta-se mais uma vez à campanha mundial de consciencialização para este cancro.
Este ano, a campanha, com o mote “Está na hora” (It’s about time) é dedicada à detecção precoce da doença, ao conhecimento dos factores de risco e dos sintomas.


“Actualmente não existe nenhum exame de rastreio para o cancro do pâncreas, pelo que a chave para uma detecção precoce é conhecer os factores de risco e os sintomas, que são pouco específicos e frequentemente desvalorizados por doentes e profissionais de saúde”, afirma Vítor Neves.
O presidente da Europacolon Portugal defende que é preciso apostar em mais investigação que permita “desenvolver um método eficaz de detecção”, nomeadamente “através da avaliação dos biomarcadores desta doença”.


Os sintomas mais comuns da doença incluem dor na coluna dorsal, perda de peso sem explicação, icterícia, dor abdominal persistente, náuseas, entre outros. Qualquer pessoa que tenha um ou mais sintomas, de forma persistente, deve falar com o médico de família com urgência, aconselha a Europacolon.


Embora a causa da doença seja desconhecida na maior parte dos casos, a associação lembra que “a evidência mostra que fumar, ter excesso de peso, história familiar de cancro do pâncreas e pancreatite crónica aumenta o risco de desenvolver a doença”.


“É necessária mais atenção, sensibilização e progresso para ajudar os doentes a sobreviver a esta doença. Os doentes que são diagnosticados atempadamente e que são elegíveis para cirurgia têm uma sobrevivência maior. Temos de conseguir aumentar o número de doentes que sobrevive e baixar as taxas de mortalidade deste cancro”, acrescenta.


A Europacolon alerta ainda que se estima um aumento do número de mortes por cancro do pâncreas em Portugal por causa da pandemia de Covid-19, que obrigou à suspensão de cuidados de saúde primários, diagnósticos e tratamentos.


São diagnosticados em todo o mundo 460 mil casos de cancro do pâncreas por ano, 130 mil na Europa e 1.619 em Portugal.

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