Sociedade | 20-11-2020 15:00

Politécnico de Tomar sem alojamento para alunos

Politécnico de Tomar sem alojamento para alunos

O Instituto Politécnico de Tomar foi obrigado a reduzir, para cerca de metade, o número de camas disponíveis no campus. As alternativas são escassas e as que existem são demasiado caras para os estudantes. Instituição tem vindo a aumentar o número de alunos de ano para ano.

O início do ano lectivo no Instituto Politécnico de Tomar (IPT) tem-se revelado mais atribulado do que o habitual. Com o aumento do número de alunos, que são agora cerca de 2300, a instituição foi obrigada a reduzir o número de camas disponíveis no campus universitário por causa da pandemia.

Neste momento, estão à disposição dos estudantes apenas 129 camas das 220 habituais. As limitações também existem numa residencial, parceira do IPT, que costumava albergar cerca de 40 alunos durante o ano. Como as medidas de segurança não permitem a partilha de quartos, o número reduziu para cerca de metade.

O MIRANTE falou com Rita Anastácio, pró-presidente do Politécnico de Tomar, que confirmou o problema, garantindo, no entanto, que a instituição está a trabalhar em conjunto com o município e a associação de estudantes para reverter a situação.

Um dos maiores entraves para alojar os alunos sem residência tem sido a pouca oferta privada para arrendamentos de longa duração. A juntar a isto, as ofertas que ainda existem implicam investimentos significativos. Enquanto que um estudante, não bolseiro, pagaria cerca de 100 euros para residir no campus do IPT, no privado estão a pedir orçamentos de mais de 200 euros mensais. “Não existe capacidade financeira dos nossos alunos para pagar rendas com estes valores”, sublinha Rita Anastácio.

Embora se reconheça a gravidade do problema, e estejam a ser realizados esforços para o resolver, a professora garante que, ao IPT, ainda não chegou informação de que algum aluno optasse por não ingressar ou quisesse abandonar a instituição por estes motivos.

NÚMERO DE ALUNOS AUMENTA TODOS OS ANOS

O Politécnico de Tomar não depende só dos apoios do Estado. A participação em projectos de investigação e desenvolvimento com a comunidade e tecido empresarial de Tomar tornaram o IPT mais capaz de fazer face às despesas. O facto de existir, nos últimos dois anos, um crescimento gradual do número de alunos também ajuda.

Em 2018 matricularam-se no IPT 1987 pessoas. Este ano, e só na primeira fase, a instituição conta já com cerca de 2300 matrículas. “Não recebemos apenas estudantes provenientes do concurso nacional de acesso ao ensino superior. Cada vez temos mais candidaturas aos concursos especiais nomeadamente aos mais de 23 anos e aos estudantes internacionais”, explica Rita Anastácio. Apesar do crescimento continuam a existir muitas vagas por preencher. Recorde-se que, de acordo com dados divulgados pela Direcção-Geral do Ensino Superior (DGES), no IPT sobraram 268 vagas na segunda fase do Concurso Nacional de Acesso ao Ensino Superior.

Relativamente aos estudantes internacionais, Rita Anastácio afirma que a procura tem sido bastante significativa. O IPT recebe cerca de 50 alunos em mobilidade Erasmus+ por semestre. Além desses estudantes, há ainda uma centena de alunos internacionais, que chegam ao abrigo dos protocolos da instituição, provenientes de países como Brasil, Bangladesh, Angola, Camarões, República do Congo, Arábia Saudita, Venezuela, Cabo Verde, Nigéria, Guiné Bissau ou Turquia.

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