Sociedade | 21-11-2020 18:00

Contestação à Fabrióleo continua em Torres Novas e não há solução à vista

Contestação à Fabrióleo continua em Torres Novas e não há solução à vista

Presidente da Câmara de Torres Novas não participou na marcha lenta organizada pelo movimento Basta e considera haver outras formas “mais credíveis” para resolver o problema da fábrica, acusada de continuar a fazer descargas poluentes.

A ausência do presidente da Câmara de Torres Novas, Pedro Ferreira (PS), foi notada na marcha lenta organizada pelo movimento Basta contra os alegados atentados ambientais da Fabrióleo, no dia 7 de Novembro. O autarca disse, na última reunião do executivo, realizada a 10 de Novembro, estar solidário com a população do Carreiro da Areia e não gostou que o Basta tivesse apontado o dedo ao executivo na comunicação social.

Apesar de ter recebido ordem de encerramento do tribunal, em Junho último, a fábrica de óleos vegetais continua a fazer descargas poluidoras com regularidade, de acordo com os relatos e os vídeos colocados com frequência na página de Facebook do movimento Basta que denuncia também os maus cheiros.

“Não é por ter um braço no ar, nem andar dentro de uma viatura a buzinar que se resolvem os problemas”, referiu Pedro Ferreira, acrescentando que, embora já tenha participado em acções desenvolvidas nesse contexto, no seu papel de autarca, tem outras formas “mais credíveis” para resolver o problema. Uma delas é a notificação que, em conjunto com o IAPMEI - Agência para a Competitividade e Inovação, vai ser enviada à Fabrióleo para que reponha a legalidade dos edifícios que foram construídos irregularmente.

Recorde-se que foram edificadas estruturas onde o Plano Director Municipal (PDM) não permitia e a única forma de conseguir o seu licenciamento era através da Declaração de Interesse Público Municipal, por parte da Câmara e Assembleia Municipal de Torres Novas, que não aprovaram essa proposta.

Bloco quer acções mais contundentes

Helena Pinto, vereadora do Bloco de Esquerda, afirmou que o presidente está a ter precauções a mais e que notificar a empresa é aplicar “um paninho quente”. “Qualquer dia estamos a pedir desculpa à empresa por estarmos a tentar cumprir a lei”, ironizou, rematando com um “ainda bem que o movimento Basta não se cala”.

“Uma empresa com ordem de encerramento que se dá ao luxo de utilizar todos os estratagemas, incluindo alterar a morada da sede para que as cartas de notificação venham para trás e com isso ganhar mais uns dias, ou continuar a fazer despejos para a ribeira e a receber camiões, ultrapassa tudo”, disse Helena Pinto, informando que o seu partido já pôs a secretária de Estado do Ambiente ao corrente da situação. Foi também enviada uma carta ao Ministério Público e outra à Polícia Judiciária, apelando a que estas entidades “façam o que lhes compete, que é investigar”.

A marcha lenta organizada pelo movimento Basta contra os alegados crimes ambientais da Fabrióleo começou no Carreiro da Areia, onde a empresa está implantada, e passou pelas localidades de Pintainhos, Meia Via, Entroncamento e Riachos, tendo terminado no centro de Torres Novas.

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