Sociedade | 24-01-2021 18:00

Jorge Ferreira Dias diz que se exaltou mas nega agressões a autarcas de Abrantes

Jorge Ferreira Dias diz que se exaltou mas nega agressões a autarcas de Abrantes
SOCIEDADE

Ex-empresário que foi preso preventivamente depois de ter invadido a reunião de Câmara de Abrantes já saiu da prisão e aguarda julgamento em casa, com vigilância electrónica.

O ex-empresário de construção civil, Jorge Ferreira Dias, que estava detido desde 22 de Dezembro de 2020, por ter invadido a reunião do executivo da Câmara de Abrantes, ameaçado e alegadamente agredido o presidente do município, saiu da prisão. O arguido vai agora aguardar julgamento em prisão domiciliária com pulseira electrónica.

Em declarações a O MIRANTE, o antigo empresário, que mantém há vários anos um litígio com o município de Abrantes, nega ter agredido ou tentado agredir com um cajado o presidente da câmara Manuel Valamatos. E alega mesmo ter sido ele vítima de agressões. “É preciso apurar a verdade, o agredido fui eu. Vieram para cima de mim, levei no mínimo 10 pontapés”, afirma, acrescentando que pode ter falado de forma exaltada, mas nunca agrediu ninguém, nem lhe “passaria pela cabeça fazê-lo, muito menos num lugar daqueles”.

Recorde-se que na manhã de 22 de Dezembro último, Jorge Ferreira Dias entrou de rompante no Edifício Pirâmide, onde decorria a sessão camarária do executivo municipal. Empunhando um cajado - aquele que habitualmente usa no maneio do gado - colocou-se à frente do presidente, ameaçando os presentes. “Vamos resolver isto a bem ou mal. Para a próxima, trago uma granada em cada mão, fecho a porta e morrem todos”, afirmou.

No momento de maior confusão, Jorge Ferreira Dias dirigiu-se a Manuel Valamatos apontando-lhe o cajado, que este por sua vez segurou. O presidente acabou por ficar ferido no lábio e o vice-presidente João Gomes magoado no cotovelo ao tentar impedir o confronto. Foram transportados ao Hospital de Abrantes com ferimentos ligeiros, com mais uma funcionária do município que terá levado um empurrão.

Memórias do cárcere

O antigo empresário diz que o tempo na prisão foi ocupado a “escrever um livro com 150 páginas, sobre o que se estava a passar”. Teve dificuldades em dormir e conta que leu vários livros para combater as insónias. Quando chegou a casa, na quinta-feira, 14 de Janeiro, por volta das 12h00, a primeira coisa que fez foi “abraçar a mulher, o filho e o neto”.

Jorge Ferreira Dias, 64 anos, já foi um dos homens mais ricos de Abrantes, dono de um património de cerca de oito milhões de euros e quatro empresas que ao todo davam trabalho a 60 pessoas. Tinha projectado para o terreno que acabou por desencadear um longo litígio com o município, por causa da sua titularidade, uma das maiores urbanizações do distrito.

Recurso no Supremo Tribunal de Justiça

Há cerca de um ano o Tribunal Administrativo de Leiria absolveu a Câmara de Abrantes num processo em que Jorge Dias pedia cerca de 6 milhões de euros de indemnização. O empresário recorreu para o Supremo Tribunal de Justiça. “Tenho documentos para provar tudo o que digo e, mais dia menos dia, isto resolve-se”, disse, vincando que nunca se irá “enquanto a justiça não for feita”.

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