Sociedade | 19-02-2021 18:00

Octogenário que tentou matar a mulher tinha ciúmes doentios e até a trancava no quarto

Octogenário que tentou matar a mulher tinha ciúmes doentios e até a trancava no quarto
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Hermenegilda

Arlete Costa, com 76 anos, sobreviveu a mais um episódio de violência doméstica provocado pelo marido, que pegou numa marreta para a tentar matar. Os ciúmes doentios fizeram a mulher viver num clima de medo, sendo até impedida de ir sozinha às compras.

Foram os ciúmes que levaram José Costa, de 82 anos, a agredir a mulher dando-lhe com uma marreta na cabeça. O agressor, pensando que tinha acabado com a vida de Arlete Costa, suicidou-se. A morte acabou com anos de violência doméstica que era do conhecimento de familiares e vizinhos do casal residente em Maçussa, Azambuja. Arlete chegou a apresentar queixa na GNR de Aveiras de Cima, mas acabou por retirá-la porque o marido começou a ficar mais agressivo. A irmã de Arlete, que foi assistida no hospital e já se encontra a recuperar em casa, diz que esta vivia permanentemente com medo.

Hermenegilda, irmã de Arlete, conta que esta só podia ir ao café ou ao supermercado se fosse acompanhada do marido ou da irmã. José também a proibia de estar à porta de casa ou caminhar sozinha mesmo perto da residência, impedindo-a também de falar com os vizinhos. A vizinhança conhecia o casal, residente em Maçussa há 20 anos, sabia das agressões, mas ninguém quer falar do caso.

A agressão aconteceu no sábado, dia 13. Arlete preparava-se para fazer o almoço quando levou uma pancada na cabeça. Combalida foi pedir ajuda a Hermenegilda, que mora a poucos metros da casa do casal. José enforcou-se na adega junto à habitação do casal, tendo o corpo sido encontrado pela GNR. Arlete tentou algumas vezes terminar a relação, mas acabava sempre por voltar para José, que prometia mudar o seu comportamento. José chegava a trancar a mulher no quarto e escondia a chave. Hermenegilda conta a O MIRANTE que Arlete vivia num clima de sobressalto com medo que o marido a tentasse matar e que ninguém a conseguisse ir socorrer.

Filho do casal morreu de overdose

O casal tinha um filho que morreu aos 30 anos com uma overdose e nem isso fez com que José parasse com as agressões. Hermenegilda descreve o cunhado como um “homem cruel, sem amor”. O idoso, de 82 anos, chegou mesmo a agredir a mulher junto do filho quando este era bebé, acrescentou Hermenegilda, a única pessoa com quem Arlete desabafava.

Para Hermenegilda o que aconteceu no sábado foi trágico, mas pelo menos acabou com o sofrimento da irmã, que ainda não sabe se vai ficar com sequelas na cabeça. Agora só espera que a irmã recupere e “possa viver como as outras pessoas, porque ela sofreu muito nesta vida”, desabafa.

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