Sociedade | 20-02-2021 18:00

Médicos acusados de homicídio de jovem de Fazendas de Almeirim durante exame

Médicos acusados de homicídio de jovem de Fazendas de Almeirim durante exame
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foto DR Marisa Nunes

Ministério Público deduziu acusação contra três médicos de uma clínica privada de Leiria onde Marisa Nunes foi fazer um exame ao coração após o qual se sentiu mal. A acusação considera que os arguidos não executaram práticas clínicas que poderiam ter evitado a morte.

Três médicos estão acusados pelo Ministério Público de homicídio por negligência de Marisa Nunes, de Fazendas de Almeirim, três anos e dois meses depois de a jovem de 33 anos ter morrido na sequência de um exame clínico. Segundo a acusação, dois dos médicos do Centro Hospitalar de São Francisco, em Leiria, não administraram adrenalina à vítima que entrou em paragem cardio-respiratória, e uma terceira médica acabou por dar uma dose inferior ao necessário, o que impediu que Marisa recuperasse.

O caso remonta a 19 de Julho de 2017 quando a vítima foi sujeita naquela clínica privada a uma Angio TAC Cardíaca. Após a administração de contraste iodado para a realização do exame perdeu a consciência e entrou em paragem respiratória. O Ministério Público apurou que durante as manobras de reanimação, levadas a cabo por dois médicos, “estes não determinaram a administração de adrenalina à vítima, o que poderia ter revertido o seu quadro”. A terceira arguida ordenou a administração de adrenalina, mas considera a acusação que “perante a não reacção da doente, deveria ter determinado a sua aplicação em dose superior, o que não fez”.

Marisa Nunes, que deixou dois filhos, na altura com 8 e 11 anos, ficou com encefalopatia anóxica, estado que foi irreversível, refere o Ministério Público. A vítima foi transportada para o Hospital de Santo André, em Leiria, “sem que os arguidos a tenham acompanhado, pelo que, em consequência de tal omissão, o suporte avançado de vida foi interrompido, passando a suporte básico de vida e, por conseguinte, não foi administrado soro, nem adrenalina de cinco em cinco minutos, tal como deveria”.

A jovem permaneceu internada até 18 de Agosto de 2017, data em que foi transferida para o Hospital Distrital de Santarém, onde morreu no dia 6 de Dezembro, sem nunca ter recuperado a consciência.

Segundo o Ministério Público, os arguidos não tomaram as medidas necessárias, “confiantes de que o resultado morte se não produziria, tendo sido a inobservância dessas práticas clínicas que aumentou o risco de produção da morte da doente”.

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