Sociedade | 22-02-2021 10:00

Associação Dom Martinho acabou e deu o seu património ao município de Vila Franca de Xira

Associação Dom Martinho acabou e deu o seu património ao município de Vila Franca de Xira
ECONOMIA
António Nabais (à direita)

Associação Dom Martinho, dedicada à valorização e defesa do património, acabou por decisão da assembleia-geral. Uma decisão que o presidente da direcção considerou inadmissível e caso único na Europa.

Os bens da Associação Dom Martinho, dedicada à defesa e valorização do património histórico e cultural da Póvoa de Santa Iria, foram recebidos pela câmara e vão passar a integrar o espólio do Museu Municipal de Vila Franca de Xira, depois da associação ter acabado em Outubro de 2019 por falta de sócios interessados em dar continuidade ao seu trabalho.

A decisão de doar os bens ao município evita que estes fiquem ao abandono, em especial porque muitos deles são peças marcantes da história e património da Póvoa. A avaliação feita pelos serviços municipais aponta para peças com valor superior a 18 mil euros, mas em alguns casos o seu preço real é incalculável.

Entre o espólio doado conta-se mais de centena e meia de objectos, como uma pia de água benta proveniente da capela de Santa Maria Madalena da Póvoa de Santa Iria, do século XVII, máquinas de madeira de ensacamento de sal, balalaicas, banjos e guitarras, máquinas fotográficas antigas, livros, antigas garrafas de água do Mouchão da Póvoa, fósseis do cretácico e miocénico, moedas, relógios e artigos de loiça.

Entre o espólio agora entregue estão também dezenas de fotografias com relevância histórica, mostrando o passado da Póvoa de Santa Iria e vários exemplares de O MIRANTE.

Associação durou 25 anos

A decisão de extinguir a associação, recorde-se, foi tomada em Outubro de 2019 em assembleia-geral, onde apenas compareceram nove dos 50 sócios da colectividade. A extinção foi aprovada com cinco votos a favor, dois votos contra e duas abstenções. O fundador e último presidente da Dom Martinho, António Nabais, foi um dos que votou contra e já tinha confessado a O MIRANTE a sua tristeza por ver acabar uma associação importante daquela cidade. “É inconcebível que se decida a extinção de uma associação de valorização e defesa do património. Deve ser caso único na Europa, é perfeitamente incrível e inadmissível”, lamentava.

Desde 14 de Junho de 1995, data da fundação da associação, que a Dom Martinho se dedicava a investigar, revelar, defender e promover a história, património natural, edificado e identidade cultural da Póvoa. Estava a ser um promotor activo de encontros de poetas, lançamentos de livros e apresentação de debates e de acções de consciencialização para a defesa do património da cidade que se continua a degradar, como a Lapa do Senhor Morto. A associação, tal como O MIRANTE deu a conhecer em 2013, mantinha um núcleo museológico importante no palácio da Quinta da Piedade na Póvoa de Santa Iria.

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