Sociedade | 23-02-2021 10:00

Fogo destruiu-lhes a casa mas a solidariedade não se fez esperar

Fogo destruiu-lhes a casa mas a solidariedade não se fez esperar
SOCIEDADE
Raquel Monteiro e Liliana Fresco

Casal de Foros de Salvaterra vive numa auto-caravana emprestada enquanto é reparada a moradia danificada pelas chamas. As respostas aos apelos de ajuda têm chegado de muito lado.

Raquel Monteiro estava a dormir quando começou a ouvir estalidos fora do seu quarto. Tentou ligar a luz mas não conseguiu. Ligou a lanterna do telemóvel e abriu a porta do quarto e só viu labaredas e fumo. O instinto foi fechar a porta e sair pela janela. Gritou pelos pais. A mãe, Liliana Fresco, também já tinha acordado e viu um grande clarão de fogo por baixo da porta. Tanto ela como o marido saíram pela janela. A avó de Raquel foi retirada do quarto com a ajuda de um dos cunhados de Liliana que mora na casa em frente, em Foros de Salvaterra, concelho de Salvaterra de Magos. A senhora, de 72 anos, foi transportada para o Hospital de Santarém por ter problemas de asma.

A família ainda arrombou a porta da rua e tentou abafar o fogo com uma carpete mas não conseguiu. As chamas consumiram grande parte da moradia, sobretudo nas divisões da sala e cozinha. O tecto em madeira desapareceu.

O fogo teve origem numa arca frigorífica que entrou em curto-circuito. A família perdeu grande parte dos seus pertences. As primeiras noites dormiram em casa de familiares. Agora, Liliana Fresco e Hélder Monteiro dormem em frente à sua casa na auto-caravana que os cunhados compraram recentemente e que ainda não tinham estreado. “Dormimos os dois aqui enquanto a minha filha e a minha sogra dormem em casa de outro cunhado. Tivemos que nos desenrascar”, explica Liliana Fresco, de 45 anos.

Com o que a família não contava era com a generosidade da comunidade local e também das pessoas nas redes sociais. Elementos da União de Freguesias de Salvaterra de Magos e Foros de Salvaterra e também do município ajudaram a retirar o lixo provocado pelo incêndio e estão a ajudar na recuperação da casa. Também vários conhecidos da família estão a ajudar a reconstruir o que o fogo destruiu. O MIRANTE comprovou isso mesmo na manhã de sábado, 13 de Fevereiro, quando esteve no local. A previsão é que a casa fique habitável dentro de dois ou três meses. Até lá vão ter que dormir na auto-caravana e tomar banho em casa dos cunhados de Liliana.

Durante a reportagem de O MIRANTE, Sérgio Patrício funcionário da União de Freguesias, e que tem liderado a gestão de ir buscar tudo o que é oferecido, recebeu um telefonema a confirmar que tinha sido doado um frigorífico. Elementos da junta de freguesia vão aos locais buscar o que é oferecido. Já foram a Alenquer, Carregado, Azambuja, entre outros. Recebem loiças, electrodomésticos, roupa, lençóis, mobiliário. “As pessoas têm sido de uma generosidade que não estávamos à espera e só podemos agradecer por tudo o que têm feito”, afirma Liliana Fresco.

O ordenado que entra todos os meses é à justa para todas as despesas e esta ajuda “caiu do céu” como sublinha Liliana. Quando se entra na casa, na parte cujo telhado não foi afectado pelas chamas, ainda se sente o cheiro a queimado. A casa-de-banho ficou totalmente chamuscada e não tem condições de utilização. Os próximos meses não vão ser fáceis para esta família que conta com a generosidade das pessoas para ultrapassarem um momento difícil.

Mais Notícias

    A carregar...

    Edição Semanal

    Edição nº 1496
    10-02-2021
    Capa Médio Tejo
    Edição nº 1496
    10-02-2021
    Capa Vale Tejo