Sociedade | 07-04-2021 18:00

Uma equipa que espalha esperança nas casas dos idosos da Golegã

Uma equipa que espalha esperança nas casas dos idosos da Golegã
SOCIEDADE

Projecto da Santa Casa da Misericórdia substitui centro de convívio e academia sénior durante a pandemia.

Quem circulou pelas ruas da Golegã na sexta-feira, 26 de Março, pode ter estranhado ver a figura de Carlos Relvas, conhecido fotógrafo da vila, que viveu no início do século XX, e duas senhoras vestidas à moda do início do século passado. O professor de teatro da Academia Sénior da Santa Casa da Misericórdia da Golegã, Carlos Petisca, e as animadoras socio-culturais, Rita Condeço e Liliana Gabriel, encarnaram estas personagens para celebrar o Dia Mundial do Teatro e dar corpo ao projecto “Espalhar Esperança”.

À porta de casa Maria Adelaide Santana, 80 anos, utente da Academia Sénior, recorda que aos 18 anos participou num teatro na Casa do Povo da Azinhaga, concelho da Golegã. O marido, Manuel Martins, 83 anos, pega naquela memória e completa-a. Na altura, para assistir à actuação da então namorada gastou 20 escudos para garantir um lugar na primeira fila. “Fiquei sem dinheiro mas ganhei um amor”, recorda entre risos e com ternura. No final de cada visita a equipa segue na carrinha da Misericórdia para mais uma visita.

O projecto “Espalhar Esperança”, da Santa Casa da Misericórdia da Golegã, liderado por Fernanda Oliveira, leva a casa dos idosos que integram a Academia Sénior e Centro de Convívio actividades, livros, exercícios de estimulação cognitiva, bordados, artesanato, entre outros. Esta iniciativa foi criada há cerca de um ano durante o primeiro confinamento para evitar que as pessoas se sentissem sozinhas. Os elementos do projecto vão duas vezes por semana a casa de todos e nos dias especiais levam surpresas. “É uma forma de amenizar a solidão”, explica Fernanda Oliveira, coordenadora técnica da Misericórdia da Golegã.

Isabel Domingos, 82 anos, recebe a equipa a cantar um fado. A animação na rua chamou a atenção do marido, que estava dentro de casa, e de alguns vizinhos que apreciaram o espectáculo. Maria Rosa Rocha, 73 anos, abre o portão de sua casa depois ter ouvido a campainha e junta-se a ela a irmã Deolinda Rocha, 70 anos, que vive na mesma casa. A alegria é grande por terem visitas. “Esta iniciativa é muito boa porque estarmos fechadas em casa é complicado. Este é um bocadinho em que nos distraímos e conversamos. Anima o nosso dia”, afirma Deolinda Rocha.

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