Sociedade | 10-04-2021 15:00

Na infância e juventude é quando se lê mais e com maior paixão 

Na infância e juventude é quando se lê mais e com maior paixão 
SOCIEDADE

Testemunhos de quem tem a profissão que tem por culpa dos livros.

Os jornalistas de O MIRANTE falam das suas leituras de infância e adolescência para assinalarem o Dia Internacional do Livro Infantil (2 de Abril), criado em 1967, para homenagear o escritor dinamarquês Hans Christian Andersen, autor de algumas das histórias para crianças mais lidas em todo o mundo. Curiosamente, nenhum menciona o famoso escritor, mas quem não conhece o Patinho Feio, a Pequena Sereia, o Fato Novo do Imperador, o Soldadinho de Chumbo, por exemplo?

A saudosa carrinha da Gulbenkian

Não me lembro do primeiro livro que li de fio a pavio mas sei que a partir daí nunca mais parei. Era freguês assíduo da biblioteca móvel da Gulbenkian que fazia o favor de estacionar, já não me lembro se de mês a mês, na Praça da República da vila beirã onde cresci. Foi através dessa carrinha cinzenta com prateleiras cheias de livros que viajei por mundos exóticos e aventuras fantásticas, levado pela prosa de Emílio Salgari e Júlio Verne e dos seus cativantes personagens, através das palavras e dos desenhos dos autores de Lucky Luke, Astérix & Obélix, Tintim, entre muitos outros. Obrigado, amigos!

A par disso, ia lendo o que havia por casa. E, felizmente, havia por onde escolher, embora não propriamente literatura infanto-juvenil. Recordo-me de ler “A Cabana do Pai Tomás”, da escritora norte-americana Harriet Beecher Stowe, quando ainda andava na escola primária. Aborda os tempos da escravatura nos Estados Unidos da América e suspeito que não percebi patavina da mensagem. Nunca mais voltei à obra, mas a intenção continua viva.

Não sei o que teria sido sem todos esses livros, que foram companheiros próximos na minha infância, mas sei que sem eles não seria quem sou.

João Calhaz

O livro de aventuras que li cinco vezes

Lembro-me de estar a ler, em casa dos meus pais, sentada numa cadeira vermelha, com muitos bonecos. Devorava todos os livros que me ofereciam. A maioria eram de banda desenhada da Disney. Mickey, Tio Patinhas e Pato Donald eram os meus personagens preferidos.

E era apaixonada por livros de aventuras. Tinha vários da série “Uma Aventura”, das escritoras Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada, que começou em 1982 e da qual continuam a ser editadas novas histórias. A memória mais viva que tenho é do primeiro livro da colecção, “Uma Aventura na Cidade”.

Ainda agora sei de cor os nomes dos personagens. Pedro, mais intelectual, Chico, mais aventureiro, distraído e que não gostava muito de aulas, as gémeas Luísa e Teresa e João, o mais novo do grupo. Havia ainda o Caracol, um pequeno cachorro das gémeas, e o Faial, o cão pastor-alemão inseparável do João.

Estes personagens acompanharam-me durante a infância e início da adolescência. Perdia a noção do tempo a devorar estas histórias e era capaz de ler um livro num dia. E enquanto não saía uma nova aventura relia as que tinha. Não me esqueço que li “Uma Aventura na Cidade” pelo menos cinco vezes.

Ana Isabel Borrego

Ler, reler e voltar a ler enquanto não me ofereciam outro livro

A minha relação com os livros começou cedo. Primeiro com as histórias da Disney, depois com os livros da Anita e mais tarde com os ‘Cinco’ e colecções semelhantes.
Recordo-me, que em todos os Natais e aniversários havia sempre oferta de um livro, que depois era lido e relido durante todo o ano, até voltar a receber um novo. Alguns chegaram a ficar com as lombadas descoladas, de tanto uso.

Talvez o livro que me tenha marcado mais foi “Anita na Cozinha”, porque foi o único daquela colecção que foi oferecido directamente a mim; os restantes, foram herdados de gerações anteriores.

Rute Fidalgo

Sempre com o livro atrás

“Se queres que uma criança venha a mudar o mundo dá-lhe um livro”. Era o que se lia na biblioteca da vila onde cresci, na secção dedicada aos livros infantis. Não tinha muitos livros disponíveis, é certo, o que significa que provavelmente a minha geração não deve ter podido mudar muita coisa. Eu ia lá com alguma frequência, procurar novos livros, especialmente de banda desenhada, género de que ainda gosto.

Para além dos livros da biblioteca, havia outros, como um que o meu pai, que era apaixonado pelo automobilismo, me deu e que posso considerar um dos meus livros infantis favoritos. Chamava-se “Grandes Prémios: História da Fórmula Um, 1950-1984”, publicado pelas Edições Asa.

Lembro-me de o ler e reler vezes sem conta. Andava sempre com ele atrás e os meus pais até chegaram a pensar que eu deveria ter um problema qualquer por estar sempre a ler a mesma coisa. Cheguei a usá-lo como volante improvisado enquanto corria pela casa a simular estar a correr em circuitos de Fórmula Um. Coisa fantástica a imaginação de uma criança.

Quando somos crianças todos queremos voar. Andar depressa. Ler as histórias de heróis destemidos inspirava-me. Gente como Fangio, Ascari, Hawthorn, Surtees, Clark ou Lauda. As cores dos carros, o aspecto, os desenhos, também contribuía para a paixão que tive por esse livro. Não posso dizer que tenha mudado a minha vida mas foi responsável por me passar um gosto que mantenho até aos dias de hoje.

Filipe Matias

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