Sociedade | 03-05-2021 15:00

Livro dá a conhecer freira que deixou obra marcante na região

Livro dá a conhecer freira que deixou obra marcante na região
SOCIEDADE
Congregação das Servas de Nossa Senhora de Fátima publicam livro sobre pensamentos e documentos autobiográficos de Madre Luiza Andaluz

Madre Luiza Andaluz acolheu crianças do distrito de Santarém que ficaram órfãs devido à gripe espanhola. Um século depois a Congregação das Servas de Nossa Senhora de Fátima publica livro sobre pensamentos e documentos autobiográficos da freira que teve papel fundamental na região.

Luiza Andaluz criou a Congregação das Servas de Nossa Senhora de Fátima, em 1923, por causa da gripe espanhola, pandemia semelhante à que estamos a viver actualmente que matou muitas pessoas nessa altura. Luiza Andaluz mostrou-se disponível para acolher todas as crianças do distrito de Santarém que ficaram órfãs devido à pneumónica. A informação foi dada a O MIRANTE pela irmã Lucília Gaspar, Superiora Geral da Congregação, durante a apresentação do livro “Documentos Autobiográficos, Pensamentos e Consagrações”, que decorreu na manhã de sexta-feira, 23 de Abril, no auditório da Casa Madre Luiza Andaluz, em Santarém.

O livro apresenta documentos autobiográficos, consagrações e muitos pensamentos que Luiza Andaluz foi escrevendo ao longo da vida e que as irmãs guardaram. Este livro faz parte das comemorações do centenário da Congregação que se assinalam em 2023. Após se ter aberto o processo de canonização de Luiza Andaluz e, em 2017, terem sido reconhecidas as suas virtudes heróicas, Lucília Gaspar afirma que a congregação ficou com o dever maior de dar a conhecer a Madre Andaluz.

O primeiro livro publicado foi sobre a história da congregação. “Este segundo livro é uma espécie de colectânea dos seus pensamentos, que manifestam o seu sentir. Queremos dar a conhecer quem foi, e como foi, Luiza Andaluz e também ajudar pessoas, através das palavras dela, ao nível da espiritualidade que possam estabelecer uma relação mais próxima com Deus”, afirma a superiora geral, acrescentando que Luiza Andaluz era uma mulher criativa e muito focada no cuidado da pessoa e na sua educação integral.

Durante a apresentação do livro, que contou com a presença do Bispo de Santarém, D. José Traquina, foi contada uma pequena história que faz parte desta obra. Aos 92 anos, Luiza Andaluz foi sujeita a uma cirurgia e, devido à sua idade, escreveu uma carta de despedida às Irmãs da sua congregação porque sabia que poderia não sobreviver, o que não aconteceu. Na carta descreve o seu percurso de vida e fala da importância que a Igreja do Milagre, em Santarém, teve para si. Nessa missiva confessa ainda que a sua missão de vida foi marcada por dois grandes amores: a Deus e aos Pobres.

A sessão contou com a presença de Mafalda Leitão, Rita Leite e Dina Henriques que organizaram os escritos para o livro, que tem ainda uma oração escrita por Luiza Andaluz.

Luiza Andaluz pode ser proclamada santa

A madre Luiza Andaluz, nascida em Santarém, em 1877, fundadora da Congregação das Servas de Nossa Senhora de Fátima, em 1923, pode tornar-se em breve a mais recente santa portuguesa. O Papa Francisco assinou, em 2017, o decreto que dá o primeiro passo para o processo de beatificação de Luiza Andaluz, que dá o nome à fundação que acolhe raparigas e que faleceu em Lisboa a 20 de Agosto de 1973.

A madre deixou uma obra importante para Santarém e para a região e acolhe crianças abandonadas ou oriundas de famílias desestruturadas. O MIRANTE distinguiu a instituição em 2012 com o prémio Personalidade do Ano – Cidadania.

A Congregação que fundou, inicialmente na sua própria casa, reconhecida pela Santa Sé como Instituto de Direito Pontifício, em 1981, dedica-se ao trabalho em centros paroquiais, jardins-de-infância, lares assistenciais e hospitais, escolas públicas e no Santuário de Fátima. Actualmente, além de Portugal, está presente em Moçambique, Bélgica, Luxemburgo, Angola, Brasil e Guiné-Bissau.

Mais Notícias

    A carregar...