Sociedade | 14-05-2021 07:00

Há muitas muralhas de betão na freguesia da Póvoa e Forte da Casa

Há muitas muralhas de betão na freguesia da Póvoa e Forte da Casa
ENTREVISTA

Catarina Lourenço é investigadora de neurociências e está a completar uma licenciatura em medicina. É candidata do Bloco de Esquerda à Junta da Póvoa de Santa Iria e Forte da Casa.

Catarina Lourenço, em entrevista a O MIRANTE, fala do estado da sua cidade, dos prédios que estão a nascer à beira do Tejo, da falta de dinamização cultural, do trânsito caótico em horas de ponta e da nova vaga de jovens que vão a votos este ano. Tem 29 anos, é da Póvoa de Santa Iria e está a concluir o doutoramento em neurociências com um trabalho de investigação focado no síndrome de Rett, uma doença rara do desenvolvimento que afecta maioritariamente meninas devido às suas características genéticas. É investigadora no Instituto de Medicina Molecular João Lobo Antunes. Fez uma licenciatura em bioquímica e está no quarto ano da licenciatura em medicina.

Assume-se como perfeccionista, moderada e viciada em trabalho. Gosta de fazer compras na cidade e viver a Póvoa sempre que pode. Adora viajar e gostava de atravessar a América do Sul de mochila às costas. Tira-a do sério os oportunistas. “Na política estamos a ver o crescimento de um certo movimento extremista que já combatemos no passado e temos de voltar a combater de forma mais afincada. Temos tendência para os desvalorizar e as coisas vão ganhando força”, nota.

O que falta na União de Freguesias que gostasse de mudar?

Uma visão que permita que as estruturas da união acompanhem o crescimento. A visão que muita gente tem é que sendo uma freguesia com muita população é uma grande freguesia. Mas essa visão é limitada. Temos de criar condições para que as pessoas que aqui vivem tenham qualidade. Temos pouca oferta cultural e o espaço cultural que temos é demasiado pequeno para as necessidades. A biblioteca não consegue suprir as necessidades das pessoas e o centro de saúde é outro problema, não consegue corresponder às necessidades da população. Em 15 anos o centro de saúde rebentou e logo por aí nota-se que falta planeamento a longo prazo. E ainda assim continua-se a promover esse crescimento habitacional desestruturado.

Está a referir-se à urbanização Vila Rio da Teixeira Duarte, junto ao passeio ribeirinho?

Queremos aproximar as pessoas do rio com a requalificação da frente ribeirinha e tornar aquela zona num espaço privilegiado de lazer, mas em contrapartida temos de favorecer grupos económicos privados que vão beneficiar com a existência do passeio ribeirinho. Já reunimos com a Teixeira Duarte e já lhes comunicámos a nossa opinião. Não sabemos também até que ponto a construção naquele local não causa impactos ambientais num ecossistema que deve ser preservado. Sem contar com o facto de estar numa zona de cheia. Entristece-me ver nascer aquela urbanização, não faz sentido. Já temos tantas muralhas de betão na cidade e esta é mais uma. É mais um erro a somar a outros.

Há preocupações também com o aumento de trânsito quando os apartamentos forem vendidos.

Os acessos da Póvoa a Lisboa estão completamente entupidos. Os promotores e a câmara pensam que as soluções que trazem a nível de infraestruturas para a nova urbanização vão resolver o problema mas não vão. Vamos tapar o sol com a peneira. O trânsito vai fluir todo para a Estrada Nacional 10 e fica tudo pior do que está hoje.

Os anos de gestão de Jorge Ribeiro foram uma oportunidade perdida?

Não iria tão longe. Algumas coisas foram positivas mas sem dúvida que muito se poderia ter feito. Houve uma estagnação. A bancada do Bloco introduziu algum estímulo para se promoverem mudanças mas muitas das propostas aprovadas ainda não foram concretizadas, o que mostra uma imensa inactividade. Continuamos a sentir muitas queixas de falta de limpeza e tratamento dos espaços verdes. É o assunto mais transversal que é difícil de resolver.

*Entrevista completa na edição semanal em papel desta quinta-feira, 13 de Maio

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