Sociedade | 09-06-2021 17:27

António Ramalho apresentou em Santarém o estudo sobre a "Economia da Terra"

António Ramalho apresentou em Santarém o estudo sobre a "Economia da Terra"

Presidente do Novo Banco apresentou em primeira mão, em Santarém, um "Estudo sobre a Economia da Terra" onde se conclui que a agricultura foi fundamental para o país durante a pandemia.

A administração do Novo Banco apresentou ao final da manhã, em Santarém, o “Estudo sobre a Economia da Terra”. A apresentação decorreu num almoço que juntou cerca de duas dezenas de empresários do sector. Como parte da Economia da Terra são consideradas as actividades ligadas à agricultura, silvicultura e floresta, indústria alimentar com base terrestre, indústria de matérias-primas têxteis vegetais e animais e indústria de madeira, cortiça e afins. O MIRANTE esteve no almoço e dá conta de alguns dados do estudo apresentado pelo presidente do Novo Banco, António Ramalho.

O VAB (valor acrescentado bruto) gerado pelas empresas no conjunto destes sectores representa 7% do VAB total das empresas nacionais, destacando-se a indústria agroalimentar e a actividade agrícola e pecuária. Nos cinco anos anteriores à pandemia da Covid-19 este indicador registou um crescimento médio anual (nominal) de 6.4%. Na agricultura destaca-se a produção de frutas, hortícolas e vinho.

As empresas da Economia da Terra pesam mais de 6% no total nacional. Na agricultura predominam os pequenos produtores, mas a empresarialização tem vindo a ganhar um peso crescente. O sector agrícola é caracterizado por cerca de 290 mil explorações agrícolas com predominância de micro e pequenos produtores, refere o estudo.

A superfície agrícola usada e a dimensão média das explorações tem vindo a aumentar, no segundo caso de 12 hectares para 14 hectares nos últimos 10 anos. O emprego representa 4% a 5% do total na economia portuguesa sendo na maioria pouco qualificado e com tendência de envelhecimento. Contudo, tem diminuído o peso da agricultura familiar e aumentado o peso das empresas e do número de trabalhadores assalariados. Os responsáveis das empresas apresentam também qualificações mais elevadas e tem-se registado um aumento da especialização produtiva.

O investimento nesses sectores tem tido um crescimento médio anual (nominal) de 9.6% nos 5 anos até à pandemia, com a agricultura a registar um peso do investimento no VAB superior à média. O estudo releva que os produtos certificados são fundamentais para o aumento do valor da produção no mercado.

É referido ainda que, apesar do desempenho favorável das exportações (3.7% de média anual nos últimos 5 anos), existe margem de crescimento nessa vertente. Já as importações têm tido um crescimento superior às exportações (média anual de 4.1% nos 5 anos anteriores à pandemia).

Agricultura com papel fundamental durante a pandemia

Em termos de rendimento da actividade agrícola, a produção vegetal contribui com mais de 60% da produção do sector. O mesmo estudo revela que, durante a pandemia, os sectores agrícola e alimentar tiveram um papel fundamental e um desempenho positivo, em circunstâncias particularmente difíceis.
Com a pandemia registou-se também uma forte subida dos preços das matérias-primas que se traduziu em aumentos significativos dos custos de produção na agricultura. Essa realidade leva a que os produtores estejam sujeitos a fortes pressões sobre as margens.
Outro dado relevante é que os sectores da Economia da Terra contam com uma autonomia financeira acima da média, mas as necessidades elevadas de investimento sustentam necessidades de financiamento. Quanto às tendências e desafios, é esperado um aumento da população, do rendimento per capita e do consumo, factores que obrigarão a aumentos da produção agrícola. E, para dar resposta a esse desafio, a inovação tecnológica e a sustentabilidade serão essenciais, até porque as novas tendências globais de consumo obrigam a uma adaptação do sector agrícola e agroalimentar.
Quanto aos impactos do Programa de Recuperação e Resiliência (PRR) e da Política Agrícola Comum (PAC), constata-se que o PRR é mais focado na indústria do que na agricultura, mas as empresas do sector poderão beneficiar de apoios à capitalização, digitalização e inovação. Já a PAC 2023-27 é mais exigente na sustentabilidade.

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