Sociedade | 22-06-2021 18:00

Veio para Santarém à procura do sonho e acabou a viver um pesadelo

Veio para Santarém à procura do sonho e acabou a viver um pesadelo
SOCIEDADE
Arjun Joshy veio da Índia para Santarém trabalhar na agricultura à procura do sonho de viver na Europa. Quando cá chegou é que se deparou com as condições deploráveis em que teve que viver e trabalhar

Arjun Joshy conseguiu libertar-se das amarras dos abusos sofridos no trabalho agrícola e abriu uma oficina de automóveis na cidade

Arjun Joshy tem 31 anos e é engenheiro mecânico. Natural de Kerala, no sul da Índia, veio trabalhar para a agricultura em Portugal depois dos amigos, que vivem em Espanha e França, lhe terem dito que Portugal seria o país ideal para ele conseguir o passaporte europeu. A grande maioria dos indianos vem trabalhar para a Europa com o mesmo objectivo: conseguir o passaporte europeu, que lhes permite circular por todos os países da União Europeia.

Ao contrário do que se pensa, não têm vidas de pobreza na sua terra. Pagam milhares de euros para virem viver aquilo que acham ser o sonho europeu. Na Índia é muito difícil encontrar um bom emprego e isso também os motiva a emigrar. Arjun Joshy pensava que vinha trabalhar na agricultura em Portugal, mas com boas condições. Só quando cá chegou é que percebeu o pesadelo em que se tinha metido. “Lá prometem-nos que vamos ter óptimas condições mas quando cá chegamos não é nada disso que acontece”, contra Arjun Joshy a O MIRANTE.

Quando chegou a Portugal, há cerca de dois anos, foi viver para uma casa no Pombalinho, concelho da Golegã. As condições eram desumanas. Foi obrigado a partilhar um quarto com mais dez pessoas que não conhecia. A casa-de-banho era uma barraca no exterior da habitação e ficava junto à cozinha. A casa tinha bolor e insectos. Quando teve um problema de saúde, Arjun não pôde contar com a empresa que o contratou. Deixaram-no entregue à sua própria sorte. Teve que fazer o caminho entre Pombalinho e o Hospital de Santarém, cerca de 30 quilómetros de distância, a pé.

Depois de três meses a trabalhar das 07h00 às 18h00, muitas vezes também ao sábado e domingo, recebendo 3,8 euros por hora, conseguiu libertar-se das amarras dos abusos sofridos no trabalho agrícola e abriu uma oficina de automóveis em Santarém, tendo contado com a ajuda de pessoas da cidade para alugar um apartamento. Arjun Joshy tenta agora ajudar imigrantes que estão na mesma situação que este já passou. “Em Junho de 2020 não tive salário. Nunca me explicaram porquê. Isto acontece porque falamos inglês e temos dificuldade em falar português”, refere. Em breve, Arjun vai começar a ter aulas de português para imigrantes indianos.

O mecânico recorda a história de um colega de trabalho, quando estava na agricultura, que no dia em que sofreu um acidente de trabalho, cortando os dedos, foi deixado pelo patrão, sozinho, a sangrar, à porta do Hospital de Santarém.

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