Sociedade | 23-06-2021 10:00

Antigo estaleiro no Entroncamento inferniza a vida aos moradores

Antigo estaleiro no Entroncamento inferniza a vida aos moradores
SOCIEDADE
Moradores queixam-se dos barulhos e da trepidação que tem origem no antigo estaleiro da construtora Silvério e Melro, no Entroncamento, agora explorado por outra empresa

O antigo estaleiro da construtora Silvério e Melro, agora explorado por outra empresa, tem dado dores de cabeça aos moradores da Rua José Gomes Ferreira e ruas adjacentes, no Entroncamento.

Os trabalhos ali realizados continuam, mesmo sem licença para tal, e após passados os prazos impostos pela Câmara do Entroncamento para fim da laboração. Os moradores garantem que é insuportável viver naquelas condições.

O antigo estaleiro da Silvério e Melro situado na zona da Barroca, no Entroncamento, onde outrora foi uma zona industrial entretanto convertida em área habitacional, voltou há algum tempo a laborar para surpresa dos moradores da vizinhança.

Os trabalhos industriais que ali se realizam, sem que haja licença para os mesmos, passam pela construção de grandes peças de cimento utilizadas em ventoinhas para parques eólicos. São utilizadas marretas e máquinas vibratórias que, para além do barulho, chegam mesmo a provocar danos nas casas, segundo testemunho de vários moradores.

O estaleiro, que durante muito tempo não teve qualquer actividade incómoda para os moradores, está agora a ser explorado pela Hidrobetão, com sede no Barreiro. Os moradores foram apresentando queixas, denunciaram a situação ao município, ao qual pedem respostas desde o ano passado mas sem sucesso.

Paulo Mendes é um dos moradores que tem dado a cara pelo que julga ser um atentado à qualidade de vida de quem habita na zona. Na ausência de resposta por parte do município, Paulo Mendes decidiu dirigir-se à Inspecção-Geral da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território (IGAMAOT) que lhe deu razão.

O vereador Henrique Leal (BE) levou o assunto à última reunião de câmara, solicitando esclarecimentos sobre a laboração da empresa. Já anteriormente, em Dezembro de 2020 e Janeiro de 2021, a vereadora Sara Florindo (BE) tinha levantado a questão.

Só a 5 de Abril, depois de os moradores terem apresentado queixa na PSP e esta ter encaminhado o caso para a Câmara do Entroncamento, o executivo municipal deliberou avançar com a notificação para que a laboração do estaleiro fosse interrompida. O presidente da Câmara do Entroncamento, Jorge Faria, afirma que o prazo de 30 dias dado à empresa para terminar os trabalhos teve em consideração o facto de “se estar a mexer com o trabalho de pessoas”.

O prazo terminou a 31 de Maio e, segundo Paulo Machado, que interveio na reunião de câmara de 7 de Junho, o barulho, a vibração e o cheiro a combustível mantêm-se. O morador, que descreveu alguns episódios que demonstram o “martírio que se tornou viver naquele local”, referiu ter várias paredes com fissuras e azulejos partidos, resultado da alta vibração que se faz sentir, “já para não falar do barulho ou do cheiro que não permite usufruir do espaço exterior da casa”. O barulho e a vibração sentem-se no interior das habitações, o que levou Paulo a investir em novas janelas de forma a minimizar a situação, mas sem grandes resultados.

O ruído, descrito por este morador como torturante, faz-se sentir de segunda a sexta-feira, a partir das 08h00, e por vezes aos fins-de-semana também. Confrontado com o problema, o presidente da Câmara do Entroncamento assumiu só agora ter consciência do grave problema e garantiu que o município irá repor a legalidade da situação. Para já a autarquia concedeu mais 10 dias de audiência prévia à empresa que diz ter mandado o assunto para avaliação jurídica.

O MIRANTE contactou a empresa, não tendo recebido qualquer resposta até ao fecho desta edição.

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