Sociedade | 27-07-2021 21:00

Tribunal puxa as orelhas a Jorge Dias e impede-o de votar e ser candidato à Câmara de Abrantes

Tribunal puxa as orelhas a Jorge Dias e impede-o de votar e ser candidato à Câmara de Abrantes
SOCIEDADE
Ex-empresário Jorge Ferreira Dias foi condenado a 18 meses de prisão com pena suspensa por dois anos por ter invadido um sessão da reunião de Câmara de Abrantes em Dezembro do ano passado

Não há memória de uma decisão em que o tribunal tenha impedido alguém de votar e de ser eleito. A decisão icónica do Tribunal de Santarém pretende fazer com que o ex-empresário Jorge Ferreira Dias perceba que não pode andar a invadir reuniões de órgãos constitucionais. O condenado diz que a decisão é para o tramar porque ia ser candidato pelo Chega.

O ex-empresário Jorge Ferreira Dias, que em Dezembro invadiu a reunião de Câmara de Abrantes com um pau, levou uma reprimenda sobre o seu comportamento na leitura do acórdão. O juiz presidente do colectivo que julgou o caso, Sérgio Sousa, depois de anunciar a pena de um ano e seis meses de prisão, suspensa por dois anos, e de lhe retirar o direito de votar e de ser candidato em eleições durante dois anos, disse que o ex-empresário não pode viver num limbo que é achar que a democracia funciona para poder beneficiar do Estado através do Rendimento Social de Inserção e depois noutras coisas não respeitar a República. O ex-empresário considera que o castigo aplicado pelo Tribunal de Santarém foi para o tramar porque iria ser candidato pelo Chega, ficando agora impedido.

Aconselhando-o a reflectir sobre os seus comportamentos durante estes dois anos de pena suspensa, o juiz, sublinhando que vivemos num Estado de direito com regras, referiu que invadir uma reunião de um órgão constitucional, depois de advertido que não o devia fazer, significa um “profundo desrespeito”. Mas, mais do que desrespeitar o órgão, o tribunal entendeu que Jorge Ferreira Dias, que há anos mantém um conflito com a câmara por causa de um negócio imobiliário, desrespeitou os concidadãos de Abrantes que elegeram as pessoas que os representam na autarquia.

Para o tribunal não há qualquer dúvida que o ex-empresário, que acabou por provocar ferimentos no presidente, Manuel Valamatos, no vereador João Gomes e numa funcionária, tinha a intenção de interromper a sessão, que decorria no Edifício Pirâmide, levando uma vara, chamada de gravato e que é usada na pastorícia para puxar as patas das ovelhas. O ex-empresário levou mais um puxão de orelhas do juiz, que lhe disse que qualquer cidadão médio sabe que estes objectos não são para levar para uma sessão camarária, independentemente de gostar muito de o usar ou não.

Jorge Dias foi na quinta-feira, 15 de Julho, condenado pelo Tribunal de Santarém a um ano e seis meses de prisão com pena suspensa por dois anos por ter invadido a reunião da Câmara de Abrantes de 22 de Dezembro e por agressões a autarcas e a uma funcionária.

Após o acórdão, Jorge Dias criticou a justiça revelando que já não pode ser candidato à Câmara de Abrantes pelo Chega. Jorge Ferreira Dias disse à saída do tribunal que o país está a apodrecer e que o que lhe fizeram no tribunal foi para o abafar, mas que não vai desistir do país. O ex-empresário foi absolvido do crime de ofensas à integridade física ao presidente da câmara, porque o tribunal considerou que os ferimentos que o autarca sofreu num lábio não foram intencionais.

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