Sociedade | 30-07-2021 21:00

Aeroporto em Alverca representaria poupança de 11 mil milhões

Aeroporto em Alverca representaria poupança de 11 mil milhões
HUB do aeroporto de Alverca contemplaria três terminais: o da OGMA em Alverca (na foto), uma futura pista na Póvoa de Santa Iria e o actual aeroporto da Portela

Num estudo entregue ao Governo especialistas provam que opção Alverca sai muito mais barata do que construir um novo aeroporto do outro lado do Tejo, em Alcochete.

O grupo de especialistas que defende a solução Alverca como local de implantação do futuro aeroporto de Lisboa garante que a solução situada no concelho de Vila Franca de Xira permite uma poupança para o erário público na casa dos 11 mil milhões de euros face à solução Campo de Tiro de Alcochete.

Em nota enviada à imprensa, o grupo apresenta uma nova infografia onde demonstra que a solução Alverca é mais ecológica e cómoda para os passageiros, ao mesmo tempo que permite ganhos para a cidade. Construir um novo aeroporto em Alcochete custaria perto de 12 mil e 800 milhões de euros. Em Alverca apenas dois mil milhões, notam os especialistas.

O futuro aeroporto de Alverca teria três terminais distintos: um em Alverca, outro na Póvoa de Santa Iria e a actual pista da Portela, que fica a cinco quilómetros do centro da capital. Esta solução integrada (HUB) ligaria todo o espaço à capital em 12 minutos e estaria pronto em cinco anos.

Já a opção Alcochete obrigaria a cumprir uma distância de 55 quilómetros até Lisboa por via ferroviária, obrigando os passageiros a tomar o ramal do Poceirão e depois fazer outros 27 quilómetros pelo eixo Chelas-Barreiro. Alcochete necessitaria de um período de construção entre 10 a 12 anos, referem os especialistas.

O grupo, liderado por José Furtado, um dos engenheiros responsáveis pelo estudo, alerta ainda para o impacto ambiental gerado pela construção em Alcochete, com o abate de milhares de árvores, o movimento de 62 milhões de metros cúbicos de terras e canal hidráulico com mais de 12 quilómetros de extensão e a necessidade de desviar o canal de navegação do Montijo.

Impacto de ruído seria reduzido

Apesar da insistência do grupo na defesa da opção Alverca os responsáveis municipais continuam a recusar a ideia de ter um aeroporto principal na cidade ribatejana. Numa entrevista a O MIRANTE, José Furtado já havia garantido que os estudos mostram que o ruído causado pelo aeroporto seria menor em Alverca do que com outras soluções, já que a pista ficaria a 750 metros da linha de comboio.

“Se a pista fosse em Alverca a propagação do som é no cone de aspiração e não lateralmente. As pessoas de Alverca praticamente não seriam afectadas porque a aproximação seria sobre a água. E mais nenhuma pista da Europa tem essa possibilidade”, defendia o engenheiro.

Na solução apresentada pelo grupo, a Portela ficaria apenas com voos de médio curso, entre as 07h00 e as 23h00 e aos fins-de-semana só a partir das 11h00. Alverca receberia todo o tráfego mas com a pista de Alverca a ter aproximações dos aviões sobre a água nunca sobrevoando a comunidade “Por isso não há riscos para as pessoas nem barulho. Seria um aeroporto singular na Europa e à semelhança de Gatwick (Londres)”, explicava José Furtado.

Uma pista no mouchão da Póvoa

Um dos dados mais polémicos do estudo é o aproveitamento do Mouchão da Póvoa para construção de uma das pistas da solução Alverca. José Furtado considera que o mouchão está demasiado degradado para poder ser recuperado e acredita que as entidades do ambiente “facilmente dariam luz verde” à sua ocupação por uma pista tendo em conta dois factores: a redução de ruído estimada para 300 mil moradores de Lisboa e os aterros que seriam feitos no local usarem os resíduos da dragagem do Tejo que permitirão a sua navegabilidade até à Castanheira do Ribatejo.

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