Sociedade | 01-08-2021 18:00

Só com escala e sem bairrismos é que as cooperativas têm futuro

Só com escala e sem bairrismos é que as cooperativas têm futuro
João Carreira é presidente da UNICARO da Castanheira do Ribatejo, entidade que gere o mercado abastecedor do concelho de VFX

João Carreira, presidente da União de Cooperativas Agrícolas do Ribatejo e Oeste, com sede em Castanheira do Ribatejo, diz-se triste pelo fim de várias cooperativas mas compreende que é o mercado a funcionar. O dirigente afirma que só com união e parcerias é possível vencer a corrida contra a concorrência externa.

As cooperativas que não criem sinergias e parcerias entre si visando criar escala de mercado têm os dias contados. A opinião é de João Carreira, presidente da direcção da União de Cooperativas Agrícolas do Ribatejo e Oeste (Unicaro), localizada na Castanheira do Ribatejo, concelho de Vila Franca de Xira.

O dirigente lamenta o facto de existirem muitas cooperativas a morrer nos últimos anos como, por exemplo, a Agrocamprest, de Vila Franca de Xira, sobretudo por serem organismos que considera fundamentais para apoiar os pequenos e médios agricultores que, de outra forma, estariam desamparados e perdidos num mercado cada vez mais exigente e globalizado. “O encerramento deve-se à sua falta de dimensão. A ideia do corporativismo é fundamental e importante e as cooperativas são o caminho. Mas para haver dimensão não pode haver bairrismo. As fusões são complicadas e não é fácil unir as cooperativas”, admite a O MIRANTE.

A Unicaro é um raro exemplo de união entre cooperativas. Foi fundada em 1988 por 12 cooperativas do país e tinha como objectivo ser um centro de recolha de cereais. Com o tempo evoluiu e adaptou-se para a venda de produtos hortofrutícolas. Hoje é uma união de quatro cooperativas: Cooperativa de Alenquer, Cooperativa Agrícola de Sobral de Monte Agraço, Lavricartaxo e a Frutivinhos de Vila Nova de Famalicão. A Unicaro tem um orçamento anual a rondar os 300 mil euros e, em conjunto com a Câmara de Vila Franca de Xira, gere também o mercado grossista do concelho, que três vezes por semana recebe duas centenas de agricultores de toda a região. Além disso trabalha com cooperativas de Beja, Lourinhã e Peniche.

“Temos uma grande preocupação com a proximidade e em não deixar uma pegada ecológica. Uma coisa é vender e comprar uma maçã produzida aqui no Oeste, outra é vir uma maçã da Argentina. Para o pequeno agricultor é muito importante ter um local de proximidade onde vender os seus produtos”, explica.

João Carreira, 51 anos, é presidente da cooperativa desde 2005. Diz que, infelizmente, grande parte do trabalho das cooperativas ainda é pouco conhecido pelas pessoas que vivem fora do meio. “Há toda uma vertente social no nosso trabalho, de apoiar cada agricultor, que não tem preço. Damos um grande apoio que não é ainda reconhecido nem pela comunidade nem pelo Estado”, afirma.

O responsável não tem dúvidas do potencial agrícola do concelho de Vila Franca de Xira mas lamenta que estar inserido na Área Metropolitana de Lisboa tenha graves consequências no que diz respeito a acesso a fundos comunitários. “Não é nada justo. Devia haver um olhar mais assertivo e diferenciador a concelhos que são predominantemente agrícolas. Querem os mercados de proximidade mas se não os apoiam o que querem que aconteça? Somos um concelho agrícola. Não podemos abandonar a lezíria como terreno de excelência”, afirma.

O dirigente salienta ter uma boa relação com as confederações agrícolas embora lamente que as cooperativas, individualmente, não possam – e não consigam – ser ouvidas pelo Governo. “Acredito que a nossa mensagem chega às confederações mas depois elas sentem dificuldades junto do Governo. As confederações fazem barulho mas não conseguem chegar às televisões porque a agricultura é tema que não vende”, lamenta.

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