Sociedade | 18-09-2021 21:00

Noite trágica para dois jovens que aceitaram viajar na mala de um carro

Noite trágica para dois jovens que aceitaram viajar na mala de um carro
Viatura onde morreu Inês Dias e transportava 7 jovens dois deles dentro da mala. Inês Dias (foto DR)

Inês Dias, de 16 anos, faleceu e Duarte Faria, de 20 anos, está em estado grave.

O despiste que levou à morte de Inês Dias, a jovem de 16 anos de Santarém, pode ter sido potenciado pelo facto de a jovem e Duarte Faria, de 20 anos, internado em estado grave, seguirem na bagageira do BMW Série 1. O excesso de lotação do automóvel é um dos factos que contribui para a instabilidade do veículo, segundo considera o formador de condução automóvel e especialista em segurança rodoviária, Custódio Tomé. Transportar pessoas na mala é um perigo para quem lá vai mas também para os restantes ocupantes e para o condutor. E neste caso é provável que tenha acontecido um fenómeno equivalente ao de transporte de líquidos mal acondicionados.

Custódio Tomé explica que há um efeito de forças provocadas na viatura como quando se transporta um depósito meio de líquidos, que desequilibra a estabilidade. As pessoas que vão numa bagageira estão em cima do eixo traseiro de um carro e ao moverem-se fazem com que a frente do veículo se desloque e se desequilibre. “Em última análise esta situação pode contribuir para o despiste”, realça, sublinhando que não é por acaso que é proibido o transporte de pessoas na mala das viaturas, não só pelo perigo que representa para a pessoa que vai nesse espaço, mas também pela segurança do veículo. “O que está previsto transportar no porta-bagagens são cargas sólidas, não movíveis”, acrescenta.

O acidente ocorreu numa curva à esquerda na madrugada de sábado, 11 de Setembro, na Estrada Municipal 368, no sentido de Alpiarça para Tapada, concelho de Almeirim. Eram cerca das 03h20. No carro seguiam sete jovens de um grupo mais numeroso com idades entre os 16 e os 23 anos distribuídos por outros dois carros que seguiam atrás do BMW. O grupo deslocava-se da Chamusca para Santarém, onde iam levar a casa Inês Dias, que foi jogadora de basquetebol do Santarém Basket e estudante do curso técnico profissional de desporto na Escola José Relvas, em Alpiarça, juntamente com a sua irmã gêmea.

O grupo, constituído por jovens de Santarém, Alpiarça e Almeirim, foram vistos na Chamusca por volta das 22h00, onde estiveram em dois cafés da vila. Segundo alguns populares que nunca tinham visto antes os jovens na localidade, apresentavam-se alterados e chegaram a entrar numa altercação entre eles num dos estabelecimentos. Segundo testemunhas o grupo levava cervejas no carro e mais tarde, por volta da 01h00, foram vistos a atirar garrafas de vidro ao chão, partindo-as, e também atiraram algumas contra as fachadas de casas.

O que se sabe do acidente é que o condutor perdeu o controlo do carro, entrou na valeta de cimento com cerca de 50 centímetros de profundidade e entrou numa vinha, capotando. Foram os colegas que vinham nos carros atrás que deram o alerta do acidente.

Inês Dias, conhecida por “Nocas” era uma miúda calma e feliz, segundo conta a directora do Agrupamento de Escolas José Relvas. Era, diz a professora, a aluna que fazia de elo de ligação da turma. Duarte Faria está estável mas nos cuidados intensivos do Hospital de Santarém com fractura de três costelas e uma perfuração do pulmão.

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