Sociedade | 11-01-2022 15:00

A família “Lira” é a alegria do mercado de Vila Franca de Xira

A família “Lira” é a alegria do mercado de Vila Franca de Xira

Em Vila Franca de Xira um dos comerciantes mais carismáticos da cidade trabalha no mercado municipal a vender peixe fresco. O negócio chama-se “Banca dos Lira” e é gerido pelo patriarca da família. O MIRANTE foi às compras e conta nesta reportagem como João Lira começou o negócio que envolve toda a família e que já tem mais de três décadas.

O Mercado de Vila Franca de Xira é um espaço de eleição que deveria ser mais bem aproveitado. A opinião é de João Manuel Rosa, mais conhecido por João Lira, que vende peixe no mercado há 35 anos. É um dos comerciantes mais carismáticos na cidade e conta com a ajuda da sua filha Ana Catarina Rosa, de 49 anos, que aos fins-de-semana, desde os 8 anos, ajuda o pai na labuta.
O MIRANTE conversou com os comerciantes numa tarde de sábado durante a época natalícia. Ambos consideram que o sucesso do negócio e a razão para a sua longevidade é a capacidade de interagir com os clientes, a qualidade do peixe, a boa disposição e a honestidade. São essas características que garantem a fidelidade dos seus clientes mais antigos porque, afirmam, os mais novos preferem as grandes superfícies comerciais. Durante a época natalícia não houve mãos a medir para as encomendas de marisco, como não costuma haver durante o Verão em relação às sardinhas.
No entanto, João Lira refere que a existência de muitas bancas vazias no mercado prejudica a adesão das pessoas e a tendência é para o negócio ir caindo com o passar dos anos. “Sinto alguma nostalgia quando não havia espaço para mais vendedores. Infelizmente alguns foram envelhecendo, abandonaram o mercado e ninguém os substituiu”, lamenta, acrescentando que os mercados tradicionais devem ter mais opções de compra e variedade de produtos. “Para que isso aconteça são precisos mais apoios e incentivos aos novos comerciantes”, vinca.
A inflação dos preços neste sector de actividade é uma das grandes preocupações de João Lira. Na sua opinião os preços têm subido exponencialmente porque há escassez de peixe e também há falta de recursos humanos para o pescar. O comerciante explica que hoje em dia é muito difícil encontrar boa garoupa, cherne, robalo ou peixe-galo abaixo dos 25 euros por quilo.
UM TALENTO NATURAL
PARA VENDER
João Lira tem actualmente vários fornecedores onde se abastece durante a madrugada. Por volta das seis da manhã chega ao mercado e começa a colocar o gelo na banca para pôr o peixe em exposição. Nem sempre a sua vida foi ligada à venda de peixe; o seu primeiro trabalho foi como bate-chapas; seguiu-se uma aventura na África do Sul como operário numa central nuclear onde esteve um par de anos; regressou a Portugal para trabalhar como metalúrgico numa refinaria em Sines e foi aí que começou a vender fruta e peixe nas horas vagas para ajudar a sustentar a família. “Sou neto de uma varina mas nunca sonhei ser vendedor. Como a necessidade aguça o engenho, rapidamente tomei-lhe o gosto e comecei a sentir-me como peixe na água”, conta, com um sorriso no rosto.
Em Vila Franca de Xira começou por vender no Largo Carlos Pato mas subitamente, devido ao volume de vendas, agarrou a oportunidade e mudou-se para o mercado municipal. Actualmente o mercado encerra às 16 horas mas o trabalho não se fica por aí. Pai e filha reinventaram o seu negócio e começaram a distribuir encomendas em casa dos clientes com o peixe já amanhado e pronto a cozinhar.

FILHA DE PEIXE SABE NADAR
João Lira está casado com Luísa há meio século. A esposa também tem uma banca de fruta e legumes no mercado. Uma vez que não compensa ter a banca de peixe aberta todos os dias, durante a semana João Lira ajuda a mulher. Nos tempos livres, que não abundam, o casal gosta de passear, estar com as netas, ir ao estádio ver futebol e a corridas de toiros.
Aos fins-de-semana, a banca dos Lira é um espaço em que impera a alegria e onde há sempre espaço para brincadeiras. “O ambiente de trabalho é o que se espera de uma relação entre pai e filha: muita paródia, algumas discussões por causa dos feitios, mas sempre na base do respeito. No fundo, é como se estivéssemos em casa”, conta Ana Catarina, que durante os dias úteis trabalha numa imobiliária com o marido, Mário Simões.
Nas despedidas João Lira deixou claro que vai continuar a trabalhar até poder. Ana Catarina confessou, para satisfação do pai, que gostava de herdar a “Banca do Lira” e dar continuidade a uma alcunha que está na família há quatro gerações.

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