Sociedade | 11-01-2022 10:33

Cirurgia inédita permite transplante de coração de porco num ser humano

Cirurgia inédita permite transplante de coração de porco num ser humano

Três dias após a operação o doente estava estável mas é cedo para aferir se a operação terá sucesso.

Uma equipa médica norte-americana transplantou um coração de porco num paciente – numa tentativa derradeira para salvar a sua vida – que se encontra em condição estável, três dias após esta cirurgia inédita.

Embora seja muito cedo para aferir se a operação terá sucesso, a iniciativa marca um passo na tentativa de décadas para conseguir usar órgãos de animais em transplantes que salvam vidas humanas.

A equipa do Centro Médico da Universidade de Maryland disse que o transplante provou que um coração de um animal geneticamente modificado pode funcionar no corpo humano, sem rejeição imediata.

O doente, David Bennett, de 57 anos, sabia que não havia garantias de que a experiência médica resultaria, mas estava em estado terminal, sendo inelegível para um transplante de coração humano e não tinha outra opção, disse o filho.

“Era morrer ou fazer este transplante. Eu quero viver. Eu sei que é um tiro no escuro, mas é a minha última hipótese”, disse Bennett, um dia antes da cirurgia, de acordo com um comunicado da Faculdade de Medicina da Universidade de Maryland.

Na segunda-feira, três dias após a cirurgia, Bennett estava a respirar autonomamente, enquanto ainda estava conectado a uma máquina de auxílio cardíaco.

As próximas semanas serão críticas, enquanto Bennett recupera da cirurgia e os médicos monitorizam cuidadosamente o seu coração.

Há uma enorme escassez de órgãos humanos doados para transplante, o que levou os cientistas a tentar descobrir como usar órgãos de animais.

No ano passado, houve pouco mais de 3.800 transplantes de coração nos EUA, um número recorde, de acordo com a agência que supervisiona o sistema de transplantes do país.

Tentativas anteriores deste tipo de transplantes – xenotransplantes – falharam, em grande parte porque os corpos dos pacientes rejeitaram rapidamente o órgão animal.

A diferença desta vez é que os cirurgiões de Maryland usaram um coração de um porco que passou por uma alteração genética para remover o açúcar nas suas células.

Várias empresas de biotecnologia estão a desenvolver órgãos de porco para transplante humano. As válvulas cardíacas de porco também têm sido usadas com sucesso há décadas em humanos.

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