Sociedade | 08-04-2022 06:59

Um quarto da população Médio Tejo não tem médico de família

Um quarto da população Médio Tejo não tem médico de família

Agrupamento de Centros de Saúde precisa de mais 31 profissionais de Medicina Geral e Familiar. Há 55 mil pessoas sem médico atribuído.

O Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) do Médio Tejo tem actualmente 24% da população sem médico de família atribuído, cerca de 55 mil utentes, com as aposentações a agravarem um défice que é de 31 profissionais. “Neste momento, temos 55 mil utentes sem médicos de família, o que corresponde a 24% dos utentes inscritos e frequentadores”, disse a directora executiva do ACES Médio Tejo, Diana Leiria.

Essa falta de profissionais, acrescentou a responsável, gera um “impacto enorme” na população e tem sido agravada nos últimos dois anos por um défice entre a entrada de médicos e as saídas por aposentação. Segundo contabilizou, no ano passado houve “22 médicos a sair e apenas nove entradas por concursos” e este ano, “até ao dia 1 de Abril, já saíram 13 médicos e apenas entraram dois”, sendo “muito difícil fazer face a este défice”.

Diana Leiria falava aos jornalistas, no dia 6 de Abril, à margem de uma visita ao Gabinete de Saúde Oral da Unidade de Cuidados de Saúde Personalizados de Abrantes, no Centro de Saúde de Alferrarede, e às instalações da Unidade de Cuidados na Comunidade, onde foram realizadas obras de remodelação do espaço interior para a criação de gabinetes para a saúde pública.

No município de Abrantes, o problema da falta de médicos afecta cerca de oito mil pessoas. “Para os oito mil utentes sem médico de família em Abrantes nós temos quatro médicos a trabalhar connosco, três prestadores de serviços e uma médica aposentada que aceitou fazer contrato connosco, ainda que a tempo parcial”, afirmou Diana Leiria.

Esses médicos permitem “manter uma série de extensões abertas” e assegurar “consulta de recurso para todos os utentes sem médico, de manhã e à tarde”, até que se consiga reforçar o quadro clínico, salientou. A solução de recurso aplicada em Abrantes é extensível aos 11 municípios abrangidos pelo ACES Médio Tejo.

Ainda de acordo com a directora executiva do ACES Médio Tejo, há a previsão de mais aposentações até ao final do ano. “Houve aqui um ‘boom’ nos anos 80 de colocação de médicos, que neste momento estão-se todos a aposentar, e nós aqui no ACES Médio Tejo sofremos muito com isso”, disse.

Segundo uma fonte da Administração Regional de Saúde (ARS) de Lisboa e Vale do Tejo, este ano 25 médicos “atingiram ou irão atingir a idade da aposentação” no ACES do Médio Tejo.

“Durante este ano irão ainda decorrer os concursos de acesso à carreira especial médica de Medicina Geral e Familiar, nos quais, certamente, nos irão ser atribuídas vagas que esperamos vir a conseguir preencher. Até lá, temos recorrido quer à contratação de médicos aposentados, quer à prestação de serviços médicos, de forma a chegar ao maior número de utentes e, desta forma, tentar minimizar as dificuldades de acesso à prestação de cuidados médicos”, disse à Lusa a mesma fonte da ARS.

Em declarações aos jornalistas, o presidente da Câmara de Abrantes disse que “sempre esteve e estará disponível para ser parte da solução e não do problema”, lembrando que o município assinou, em março, o auto que concretiza a transferência das competências para a autarquia no âmbito da Saúde, continuando a ser o Governo a deter competência e responsabilidade quanto à contratação e gestão do pessoal médico e de enfermagem.

“Estamos disponíveis para encontrar as melhores estratégias com o Ministério da Saúde e com o ACES Médio Tejo para minimizar o problema e para ajudar a procurar as soluções para captar médicos, enfermeiros e técnicos de saúde para que possam desenvolver a sua atividade profissional em Abrantes”, disse Manuel Jorge Valamatos (PS).

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