Associação em Rio Maior ajuda pais a lidar com os filhos
Fernanda Souza tem cinco filhos e apenas Karolina é maior de idade. Vivem em Rio Maior há quase dois anos e encontraram na associação Aldeias de Crianças SOS uma ajuda fundamental para gerir os conflitos familiares. A O MIRANTE Fernanda Souza confessa, sem medos, que “não é fácil lidar com as emoções dos filhos”.
Israel e Isadora, oito anos, são irmãos gémeos e afirmam que não se costumam dar bem. O comportamento dos irmãos é de constante agitação e torna-se uma dor de cabeça para Fernanda Souza, sua mãe e de mais três filhos, sendo que apenas Karolina é maior de idade. Fernanda Souza explica a O MIRANTE que, por muito que os mande parar e faça pedagogia, tem sido muito difícil gerir os conflitos uma vez que, admite, “não é fácil lidar com as emoções dos filhos”.
Há ano e meio começou a ser acompanhada pelo Centro de Apoio Familiar e Aconselhamento Parental (CAFAP) de Rio Maior. O programa, implementado pela associação Aldeias de Crianças SOS, é um serviço especializado para apoiar pais e mães nos desafios da parentalidade e na promoção e protecção dos direitos das crianças e jovens. Fernanda Souza realça o desempenho das assistentes. “Têm sido uns autênticos anjos”, afirma, com um sorriso no rosto.
Raquel Vargas, directora do CAFAP desde 2013, esclarece que a associação concentra-se “na capacitação parental sobre os problemas de atitude dos jovens ou crianças”. Neste momento, três técnicas superiores da área dos serviços sociais acompanham mais de quatro dezenas de famílias que foram encaminhadas pelas mais diversas entidades. Fernanda Souza, por exemplo, foi aconselhada por docentes da Escola Básica Fernando Casimiro Pereira da Silva, em Rio Maior.
Neste caso em particular, as dificuldades passam essencialmente pelos conflitos entre irmãos que brigam sobre os mais variados assuntos. Contudo, há histórias mais graves que, às vezes, roubam noites de sono a quem tenta ajudar. Susana Matias está no CAFAP desde 2016 e afirma que já teve noites que foram um “autêntico tormento”. A “negligência com crianças pequenas que não se sabem defender” é algo que assusta a assistente social. Bianca Silva, 42 anos, psicóloga da associação, sublinha que “a falta de progresso de alguns casos” é o que a incomoda verdadeiramente.
União é o maior valor de uma família
Um dos grandes apoios de Fernanda Souza são as duas filhas mais velhas. Karolina, 18 anos, quer ir para a universidade estudar Direito. Por agora vai treinando com os irmãos, sobretudo quando descreve à mãe as escaramuças, sem deixar pontas soltas. A irmã Kamilla, 13 anos, também a auxilia a complementar os relatórios. Caso a mãe saia mais tarde do emprego vão as duas buscar os mais novos à escola. Se a mãe estiver em casa a tentar descansar são elas que impõem alguma ordem e tranquilidade no apartamento. O pai está fora de casa durante a semana a trabalhar, embora telefone várias vezes para saber “como param as modas”.
Natural do Brasil, Fernanda Souza diz que a adaptação a Portugal tem sido pacífica, muito por culpa do contacto que tem mantido com as técnicas da associação. “O acompanhamento da associação tem sido constante, sempre a zelar por uma dinâmica familiar saudável e tenho notado muitas melhorias”, assegura.
Fernanda Souza trabalha na fábrica das Carnes Nobre e mostra-se feliz com o emprego e as condições de vida que tem em Rio Maior. Dentro das contingências, continua a querer ensinar os filhos a escolher os amores. Tarefa difícil para uma mãe que tenta manter todos perto do ninho, mesmo que a filha mais velha aponte novos horizontes. Apesar de algumas discussões quase a levarem ao desespero, “união” continua a ser a palavra de ordem na casa que partilham. “Esse é o maior valor da família”, vinca.


