75% da população de Salvaterra de Magos não tem médico de família
Presidente do município pede ao Governo medidas excepcionais para resolver um problema que se tem arrastado no tempo. Dos 12 médicos que deviam existir no concelho estão ao serviço apenas três.
O presidente da Câmara de Salvaterra de Magos pede ao Governo que dote o Ministério da Saúde de “ferramentas excepcionais” para resolver “problemas excepcionais”, como a existência no seu concelho de 75% da população sem médico de família. “Uma coisa é termos um país que tem cerca de 12% da população sem médico de família (…), outra coisa é num determinado território não termos 50% de cobertura médica ou 75% de cobertura por médicos de família”, disse Hélder Esménio à Lusa.
O autarca socialista pede “ferramentas de emergência”, como a possibilidade de acelerar a contratação e de pagar mais em territórios em que a falta de médicos se situe a determinada percentagem abaixo da média nacional. Lembrando o longo historial de carência de falta de médicos num território “às portas de Lisboa”, Hélder Esménio afirmou que, num concelho com 22 mil habitantes, dos 12 médicos de medicina geral e familiar que deveriam existir, apenas há três, respondendo a apenas 25% da população. A cobertura eleva-se para os 50% da população se se considerarem os médicos, não especialistas em medicina geral e familiar, que prestam serviço no concelho, num total de cinco, dois dos quais a meio tempo.
Falta de médicos inviabiliza criação de USF
Hélder Esménio afirmou que, em reunião realizada recentemente com a ministra da Saúde, Marta Temido, com o presidente da Administração Regional de Saúde (ARS) de Lisboa e Vale do Tejo, Luís Pisco, e com a secretária de Estado da Saúde, Maria de Fátima Fonseca, pediu o reforço, para quatro, do número de vagas no concurso que vai abrir em breve.
Para essas vagas pediu que seja atribuído algum benefício no vencimento para tornar a candidatura mais atractiva, já que o concelho não possui uma Unidade de Saúde Familiar (USF), estruturas que, pela possibilidade de incrementos nos vencimentos, ajudam a atrair e a fixar os profissionais de saúde. O autarca salientou que a falta de médicos tem impedido a criação da USF e a ausência desta não tem permitido que os profissionais se queiram fixar no concelho, no que classificou como de “pescadinha de rabo na boca”.
Hélder Esménio afirmou que o município tem procurado mitigar o problema atribuindo habitação a médicos estrangeiros que, embora não sendo especialistas, vão dando assistência às populações e com a abertura de consultórios municipais no Granho e em Muge, licenciados junto da Entidade Reguladora da Saúde e que funcionam em horário pós-laboral, duas vezes por semana. Esta solução tem permitido que as populações (cerca de 2 mil utentes no total) tenham acesso a consultas e a receituário, retirando alguma pressão das extensões da Glória do Ribatejo e de Marinhais.
Nova extensão de saúde para Marinhais
Hélder Esménio afirmou que Marta Temido assumiu estar no Plano de Recuperação e Resiliência a construção de uma extensão de saúde na freguesia de Marinhais, já que a actual, onde existe a expectativa de criação de uma USF que sirva as populações de Marinhais, Glória do Ribatejo, Granho e Muge, “não tem condições nem dimensão”.
Por outro lado, o município alerta ainda para a urgência de uma intervenção no Centro de Saúde de Salvaterra de Magos, “onde no passado Inverno choveu em vários locais, o que degrada as suas condições de funcionamento”.


