Sociedade | 24-07-2022 21:00

População de Riachos queixa-se de caça à multa

Em dois dias foram registadas quase cem multas em Riachos, concelho de Torres Novas, o que está a deixar os moradores revoltados

Moradores estão a perder a conta às multas de estacionamento e o comércio local tem saído prejudicado. Em dois dias foram registadas quase cem multas. Presidente da junta apela ao reordenamento de trânsito e pede mais áreas de estacionamento para parar o “massacre”.

Os condutores de Riachos, no concelho de Torres Novas, estão revoltados com o apertar da fiscalização por parte da Guarda Nacional Republicana (GNR) aos veículos estacionados nas ruas da vila, nomeadamente em zonas residenciais, e criticam a falta de opções para estacionamento. A indignação dos moradores fez-se ouvir na última reunião do executivo da Câmara de Torres Novas pela voz de um dos lesados, Fernando Gorjão, e do presidente da junta de freguesia, António Jorge, que fala num “massacre” para os riachenses e para o comércio local.
“Fomos informados de que não se pode estacionar em ruas onde não caibam três carros, mas o facto é que em Riachos não existe rua nenhuma onde isso aconteça. Obviamente que quem não tem garagem tem que deixar o carro na rua”, disse o autarca, acrescentando que só nos dias 6 e 7 de Julho os riachenses receberam 96 multas passadas pela GNR, muitas delas por alegado mau estacionamento durante a noite.
O morador Fernando Gorjão fala mesmo numa falta de empatia entre a GNR e a população que nasceu com esta vaga de multas que está a “mexer com a economia das pessoas” dando como exemplo um caso em que um condutor já foi autuado cinco vezes.
O presidente da junta frisou que também “o comércio e os serviços estão a ser prejudicados por causa das multas”, como são disso exemplo restaurantes que estão em risco de fechar portas porque não há parques de estacionamento e os clientes que são “de fora da terra” têm sido “massacrados com multas”.
A O MIRANTE, fonte da GNR esclarece que os autos recebidos pelos condutores em apenas dois dias foram passados pelos militares num espaço de tempo alargado e que terá havido um atraso no envio por parte da Casa da Moeda, entidade responsável pelo serviço. A mesma fonte refere ainda que a Guarda já emitiu parecer à Câmara de Torres Novas acerca do reordenamento de trânsito na vila e que o processo se encontra na posse da Junta de Freguesia de Riachos desde Fevereiro último.

Junta quer ruas com sentido único
Lembrando que o único parque de estacionamento “está a rebentar pelas costuras”, António Jorge defendeu que a solução deve passar por o município torrejano adquirir o terreno junto ao velho lagar, no centro da vila, para ali se construir uma nova zona de estacionamento. Será também necessário, exigiu, que todas as ruas à excepção da Avenida 16 de Maio – por ser a única que comporta três faixas de rodagem – passem a ser de sentido único. “Fica dispendioso para a câmara, mas a junta exige que o problema seja resolvido de forma a evitar que as pessoas estejam constantemente a ser autuadas”, vincou, afirmando depois que a junta não concorda com a proposta de reordenamento de trânsito apresentada pelo município.
O presidente da Câmara de Torres Novas Pedro Ferreira, que mostrou estar ao corrente da situação, disse que não se vai pronunciar quanto à forma de actuar dos militares, acrescentando que se poderá vir a promover uma “reunião conjunta com a GNR”. Referiu ainda que a aquisição do terreno do lagar está em cima da mesa e que a divisão de trânsito municipal tem estado empenhada no estudo para um novo reordenamento em Riachos, vila onde as ruas são “estreitas e há muitos moradores que não têm garagens”.
Do lado da oposição, os vereadores António Rodrigues, do Movimento P’la Nossa Terra, e Tiago Ferreira, do PSD, também defenderam a necessidade de um reordenamento do trânsito para resolver o problema.

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