Sociedade | 08-08-2022 12:00

Alunos escritores fazem a diferença no Agrupamento de Constância

Livros foram lançados na reabertura ao público do Cineteatro de Constância

“PanaPaná” e “O Erro Corrigido” são os títulos de duas obras literárias da turma do 7º ano do Agrupamento de Escolas de Constância. Um dos livros foi ilustrado por crianças internadas no Hospital Pediátrico de Coimbra e as receitas das vendas revertem a favor da Associação Acreditar.

Impulsionar a consciência social dos mais jovens e aproximá-los da leitura e da escrita foi o que moveu as professoras Paula Malheiro e Maria Clara Marques a desafiar os alunos de duas turmas do 7º ano do Agrupamento de Escolas de Constância a tornarem-se autores de duas obras literárias. O livro “PanaPaná” e o livro digital “O Erro Corrigido” são dois projectos solidários realizados no âmbito da disciplina de Cidadania e Desenvolvimento. As receitas das vendas de um dos livros revertem a favor da Acreditar – Associação de Pais e Amigos de Crianças com Cancro.
Os livros foram lançados na reabertura ao público do Cineteatro Municipal de Constância, a 22 de Julho. Na apresentação, que contou com mais de meia centena de pessoas, estiveram presentes autarcas, professores e pais dos alunos.
As duas publicações foram desenvolvidas por mais de três dezenas de alunos ao longo do ano lectivo. Iniciado em Outubro do ano passado, “PanaPaná” – palavra de origem tupi para designar um bando de borboletas – foi ganhando forma nas aulas de Cidadania e Desenvolvimento, explica Paula Malheiro, docente dessa disciplina e de Português, e a principal mentora do projecto. “Havia dias em que escrevíamos muito, outros nem tanto e às vezes voltávamos atrás e apagávamos o que já tínhamos escrito”, recorda, acrescentando que havia sempre um aluno incumbido de registar a história à mão e outro a computador.
Fruto de uma “co-autoria muito gratificante e bonita” entre uma das turmas e a Acreditar, ao final de cada semana o rascunho do que já estava escrito era enviado para crianças internadas no Hospital Pediátrico de Coimbra, que realizaram as ilustrações. Paula Malheiro acredita que este intercâmbio permitiu aos alunos crescer como cidadãos activos, responsáveis, justos e solidários.
A “ideia de amizade e confiança” transmitida pelas crianças a outras crianças deu igualmente o mote ao livro digital “O Erro Corrigido”, onde não faltam os temas da solidariedade, entreajuda e igualdade. Orientada por Maria Clara Marques, a obra procura veicular uma mensagem positiva de esperança, afecto e inclusão, especialmente dirigida a crianças institucionalizadas. “Queríamos mostrar a essas crianças que é possível construir uma família e amigos noutros sítios que não a nossa casa, mantendo as nossas características”, sublinha a professora.

Motivar os mais novos para a leitura e a escrita
“O Erro Corrigido” acabou por ser também um teste ao interesse dos alunos pela literatura, aponta Maria Clara Marques, particularmente orgulhosa da escolha do título, inspirado nos versos do poema “Amigo” de Alexandre O’Neill. A turma trabalhou o poema num workshop de poesia.
Reconhecendo que actualmente os jovens estão mais afastados da leitura e da escrita, Maria Clara Marques, afirma que o passo inicial para os reaproximar consiste em desafiá-los a começar a ler. A docente considera que iniciativas pontuais como o Concurso Nacional de Leitura não chegam e defende a obrigatoriedade de os alunos apresentarem livros aos colegas, nas aulas de Português. “Expor aos colegas aquilo que leram pode ser o ponto de partida para fazer brotar o entusiasmo pela leitura”, argumenta, lamentando que existam alunos a chegar ao fim da escolaridade obrigatória sem nunca terem lido um livro na totalidade.
Concordando que, hoje em dia, a leitura em papel está a cair em desuso, Paula Malheiro lembra que os mais novos continuam a ler muito no telemóvel e no computador e que a maioria está muito bem informada, sabendo filtrar a informação, por vezes, até melhor do que os adultos. A docente entende que a digitalização da leitura é uma consequência natural do tempo em que vivemos. “As crianças e os jovens estão habituados a viver a um ritmo muito acelerado e a leitura é lenta, precisa de tempo”, salienta.

Programas escolares não cultivam gosto pela leitura

Ambas as professoras partilham a opinião de que os actuais programas escolares, sobretudo no que toca à disciplina de Português, “não estão devidamente preparados” para cultivar junto dos mais novos o gosto pela leitura e a escrita. É por isso que fazem falta mais projectos como o “PanaPaná” e “O Erro Corrigido”, refere Olga Antunes, directora do Agrupamento de Escolas de Constância, com quem O MIRANTE também conversou durante a iniciativa.

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