Sociedade | 14-08-2022 18:00

Transferência de água do Zêzere para o Tejo preocupa autarcas

Barragem do Cabril no concelho de Tomar. fotoDR

Os presidentes dos municípios da Sertã, Oleiros, Pedrógão Grande e Pampilhosa da Serra expressaram a sua apreensão ao secretário de Estado da Conservação da Natureza e Florestas e exigem ser ouvidos sobre as soluções para a regularização do caudal do rio Tejo.

Os autarcas da Sertã, Oleiros, Pedrógão Grande e Pampilhosa da Serra manifestaram a sua preocupação ao Governo, com a possibilidade de haver um transvase de água da Barragem do Cabril, no rio Zêzere, para o rio Tejo. E questionam “o interesse de se construir um transvase da albufeira do Cabril para o rio Tejo, colocando a água apenas a 30 quilómetros a montante do lugar onde a água do Cabril já chega naturalmente ao Tejo”, em Constância.
Num comunicado conjunto, os autarcas Carlos Miranda e Fernando Marques Jorge (da Sertã e Oleiros, respectivamente, no distrito de Castelo Branco), António Ferreira Lopes (Pedrógão Grande, Leiria), e Jorge Alves Custódio (Pampilhosa da Serra, Coimbra) manifestam “a sua preocupação” face à possibilidade de se construir um túnel para transvase da albufeira do Cabril, no rio Zêzere, para o rio Tejo, “tendo em conta os baixos níveis de água nesta albufeira nos últimos verões e, em especial, neste que decorre”.
Os quatro autarcas estiveram reunidos na segunda-feira, 1 de Agosto, na Sertã, com o secretário de Estado da Conservação da Natureza e Florestas, João Paulo Catarino. Os autarcas salientam que “a referida obra constará do estudo de reforço da resiliência nas zonas do Médio Tejo, elaborado pela Agência Portuguesa do Ambiente e que deverá ser posto a consulta pública em Setembro”.
Os presidentes de câmara querem que lhes seja dado conhecimento de todo este processo, em detalhe, e das soluções técnicas que vierem a ser propostas. “Exigem ainda ser ouvidos na elaboração dessas mesmas soluções, e consultados na elaboração dos cadernos de encargos que vierem eventualmente a ser preparados”, refere o comunicado.
Defendem também que qualquer projecto que venha a ser implementado “deverá salvaguardar uma quota mínima para a albufeira do Cabril e outras a jusante”, que permita o uso múltiplo destas albufeiras, nomeadamente, “a captação de água para abastecimento das populações, a defesa contra incêndios e a utilização para fins turísticos, essencial para a economia local”.
Em Dezembro de 2021, o então ministro do Ambiente e da Ação Climática, João Pedro Matos Fernandes, garantiu que estavam a ser avaliadas duas soluções para resolver o problema da regularização do caudal do rio Tejo e que deviam ser construídas em conjunto. Segundo o governante, uma das soluções passava por construir uma ligação em túnel “da barragem do Cabril a Belver, sem qualquer transvase – estamos a falar dentro da mesma bacia hidrográfica – e que é essencial para podermos trazer água de um rio, onde nunca faltou a água, que é o Zêzere”. A segunda solução era a criação de um reforço de capacidade armazenada, em barragem, no rio Ocreza.

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