Negócios com presidente da Assembleia Municipal da Chamusca incomodam Paulo Queimado
Presidente da Câmara da Chamusca negou responder a um pedido de esclarecimentos de O MIRANTE sobre os negócios entre a autarquia, o presidente da assembleia municipal, Joaquim José Garrido, e os seus filhos, que envolve um investimento de mais de 50 mil euros. Os negócios que envolvem o município da Chamusca e o presidente da…
Presidente da Câmara da Chamusca negou responder a um pedido de esclarecimentos de O MIRANTE sobre os negócios entre a autarquia, o presidente da assembleia municipal, Joaquim José Garrido, e os seus filhos, que envolve um investimento de mais de 50 mil euros.
Os negócios que envolvem o município da Chamusca e o presidente da assembleia municipal, Joaquim José Garrido, estão a causar incómodo no presidente da câmara. Num pedido de esclarecimento enviado por O MIRANTE sobre as razões para a autarquia ter pago a edição completa de dois livros, num total de 1.500 exemplares, à Zaina Editores, empresa dos dois filhos do presidente da assembleia, Paulo Queimado respondeu que não iria prestar declarações.
Recorde-se que a câmara adjudicou, por cerca de 40 mil euros, a compra de mil exemplares da “Carta Arqueológica do Concelho da Chamusca” à Zaina que, por sua vez, entregou o trabalho da paginação, acabamentos e impressão, à Garrido Artes Gráficas. Este ano o município voltou a entregar a adjudicação de um livro à Zaina pagando cerca de 12 mil euros mais IVA por 500 exemplares do livro “100 anos, 100 poemas”, obra que faz parte das comemorações do centenário de Maria Manuel Cid, poetisa da Chamusca, mais conhecida como D. Mimela. Neste caso, a antologia foi editada pela “Edições Cosmos”, uma editora que pertence a Joaquim José Garrido e que é marca registada da Zaina Portugal.
Tendo em conta as dúvidas sobre a clareza do procedimento e a possibilidade de existir favorecimento de cargo político O MIRANTE enviou um email para o presidente da câmara, Com Conhecimento (Cc) do seu gabinete de apoio, solicitando esclarecimentos a algumas questões. As perguntas foram:
“O senhor presidente financia a edição de livros a 100% e a autarquia ainda dá a possibilidade de o editor vender os livros que a câmara comprou. Como explica esta política de apoio?”;
“O livro só está à venda na Garrido Artes Gráficas?;
Não deveria haver obrigação de oferecer o livro a autarcas e instituições da terra?”;
“Não tem receio de estar a fazer negócios de favor uma vez que paga o produto e deixa-o na mão de quem o vende?”;
“Há alguma razão para não oferecer os livros aos jornais da terra?”;
“O presidente da assembleia municipal que imprimiu e organizou o livro ofereceu oficialmente um livro a si próprio?”;
“Não acha que está a contribuir para uma organização política da autarquia que pode ser considerada amiga dos autarcas?”.
Paulo Queimado não demorou a responder ao email do jornalista de O MIRANTE, mas fugiu à sua responsabilidade dizendo: “uma vez que considero que estás a fazer acusações muito graves, e em vez de pedido de informações para fazeres uma notícia fidedigna e isenta (…), escuso-me a prestar qualquer informação a esse órgão que, definitivamente, não é da terra”. O autarca conclui com uma saudação de desejo de bom fim-de-semana e com uma frase que parece de um “guru”: “que a consciência de fazer o melhor pelo concelho da Chamusca esteja convosco”.


