Sociedade | 24-09-2022 15:00

Barcos em miniatura de João Padinha eternizam memórias do Tejo

João Padinha com a autora do caderno cultural, Ana Serra

Memórias do mestre avieiro de Alhandra ficam eternizadas em livro que foi apresentado na Fábrica das Palavras.

João Padinha é um rosto conhecido em Alhandra e agora as suas memórias estão eternizadas num caderno cultural sobre as artes de navegar no Tejo que foi apresentado no dia 9 de Setembro, na Fábrica das Palavras, em Vila Franca de Xira. Com 82 anos, tornou-se uma figura popular pela qualidade e minúcia que coloca na construção de pequenas réplicas de embarcações típicas do Tejo, já tendo construído mais de setenta ao longo da vida. Desde muito novo que sentiu vontade de construir algo que ajudasse a preservar a cultura e a tradição da sua terra. “Quem nasceu aqui e não ama a sua terra, não a divulga, não merece ser seu filho”, conta.
Começou a construir barcos de madeira muito novo e as pessoas começaram a notar o talento para esse mundo artístico. Foi pescador, serralheiro mecânico e chegou a montar televisores. No entanto, foi a construir réplicas dos barcos do Tejo que se sentiu feliz. O processo de criar cada uma daquelas réplicas é bastante moroso. Algumas das construções levaram mais de meia década só na fase de investigação de fontes e plantas de construção no Museu da Marinha.
“Eu não construo nada sem saber de onde vem, quem o fez, porque o fez, a história por trás da sua construção, que funções serviu e como foi construído. Prezo a minúcia e o rigor, e como tal as réplicas têm de ser cópias exactas dos originais, o que leva muito tempo de pesquisa e de construção”, confessa o artesão.
No caderno cultural onde expõe a sua arte, conta sobre o seu passado ligado ao Tejo e explica a necessidade de se lutar pela preservação cultural do rio que tanto lhe é querido. O Caderno Cultural Número 53 é o segundo da autoria de Ana Serra, antropóloga, fotojornalista e funcionária do Museu Municipal de Vila Franca de Xira. Na apresentação estiveram também João Padinha e Manuela Ralha, vereadora com o pelouro da cultura.
O Caderno Cultural, que pertence a um projecto sem fins lucrativos com o intuito de promover a cultura e tradição do país e tem o apoio da Confraria Ibérica do Tejo e da Câmara de Vila Franca de Xira, é algo que diz muito a Ana Serra, que desde cedo sentiu a necessidade de defender a cultura e tradição vilafranquense e daqueles que vivem do Tejo. A autora defende a preservação da memória e tradição cultural para transmitir às gerações vindouras, ideia partilhada por João Serrano, da Confraria Ibérica do Tejo, responsável pela criação destes cadernos culturais, que discursou durante alguns minutos no final da apresentação da obra.

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