Sociedade | 25-09-2022 17:59

Escola de Cardigos é um símbolo da resistência contra a desertificação

Número de alunos inscritos não cumpre o rácio mas a escola conseguiu autorização do Ministério da Educação para continuar a funcionar. FOTO – CM Mação

Estabelecimento de ensino do 1º ciclo é o único que subsiste fora da sede de concelho de Mação. Um reflexo da perda e envelhecimento da população que assola esse território. A escola primária de Cardigos teve autorização excepcional do Ministério da Educação para continuar a funcionar, apesar de só ter 17 alunos.

A escola primária de Cardigos, com 17 alunos, é a única que resiste à deslocalização e concentração de alunos em Mação, com a autorização excepcional da tutela a ser muito festejada numa aldeia em luta constante contra a desertificação. “É uma vitória porque todos os anos trabalhamos muito para que a escola não feche, é uma luta constante, muitas vezes num trabalho invisível, porque manter este tipo de serviços na aldeia é muito importante para segurar as pessoas e para a dinâmica económica e social”, disse à Lusa Manuel Leitão, presidente da Junta de Cardigos.
A freguesia tem cerca de 900 habitantes, e a escola primária é a única que subsiste em todo o concelho. Situada numa extrema do concelho de Mação, o presidente da junta de freguesia passa os dias numa “luta constante” para atrair e fixar pessoas e serviços, seja a convencer os encarregados de educação a matricular os filhos na escola da terra, seja a tentar arranjar casa e trabalho a quem quer regressar a Cardigos.
A freguesia luta contra o envelhecimento e desertificação populacional, mas também contra o facto dos concelhos vizinhos estarem “mesmo ao lado”, com distâncias que variam entre os 10 e os 18 quilómetros. “Já temos alguma dificuldade em manter a escola aberta com o número suficiente de alunos, é evidente que se vão quatro ou cinco para as outras sedes de concelho, torna-nos a vida mais difícil, e isso infelizmente acontece”, disse Carlos Leitão, que acredita no potencial de crescimento da freguesia e que conseguiu ainda, na semana passada, que se inscrevesse mais uma criança no pré-escolar e uma outra no ensino básico.

Município e agrupamento são aliados de peso
Apesar de um trabalho constante e de muita persistência, Carlos Leitão não está sozinho nesta luta, tendo o aval extraordinário do Ministério da Educação resultado de investimentos continuados da Câmara de Mação no equipamento educativo e envolvente, e da própria avaliação e parecer do director do Agrupamento de Escolas Verde Horizonte, de Mação. “É verdade [que não cumpre os rácios], mas é obrigação dos decisores, quer sejam políticos, quer sejam técnicos, de encontrar aquilo que melhor corresponde às necessidades das comunidades, e neste caso eu penso que foi encontrada a melhor solução e tomada a decisão mais sensata”, disse José António Almeida. “Enquanto for possível, e pedirem a minha opinião enquanto director do agrupamento, eu serei sempre a favor de manter aquele espaço em funcionamento”, vincou.
A manutenção da escola de Cardigos de portas abertas também mereceu a aprovação do presidente da Câmara de Mação, Vasco Estrela, tendo lembrado que o município investiu, em 2021, “muito perto de 200 mil euros na criação de um campo de jogos e de uma horta comunitária”, tornando a “escola mais atractiva” para que os pais mantenham ali os seus filhos.

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