Sociedade | 28-09-2022 15:00

Azambuja pondera atribuir seguro à população para garantir acesso à saúde

Presidente da Câmara de Azambuja, Silvino Lúcio, diz que a autarquia já recebeu duas propostas de seguradoras

Município está a estudar a possibilidade da atribuição de um seguro de saúde para todos, como nova medida para garantir à população um acesso a cuidados de saúde primários no privado. Já foram recebidas propostas de seguradoras.

O município de Azambuja está a equacionar a atribuição de um seguro de saúde a todos os munícipes para que possam recorrer ao sistema privado, uma vez que actualmente 85% da população do concelho não tem médico de família atribuído. A novidade foi revelada na última reunião pública do executivo pelo presidente da câmara municipal, Silvino Lúcio, que acrescentou que já foram recebidas pela autarquia, para o efeito, duas propostas de companhias de seguros que estão a ser analisadas.
Segundo o autarca socialista, as propostas das seguradoras, enviadas a pedido do município rondam, cada uma, os 200 mil euros. “Independentemente do valor estamos a analisar para ver o que vamos fazer”, disse Silvino Lúcio em resposta à vereadora do Chega que criticou o estado “absolutamente dramático e catastrófico” da saúde no concelho, onde a falta de médicos tem sido um problema difícil de resolver.

“Estamos entregues à bandalheira total“
A ideia em análise não agradou à oposição social-democrata, que tem vindo a apontar o dedo aos socialistas pela falta de pró-actividade para encontrar uma solução que melhore o acesso dos utentes aos cuidados de saúde primários. Isto porque, justificou o vereador Rui Corça, no concelho não existe oferta de serviços de medicina privados, o que levaria a que os utentes, mesmo beneficiando de um seguro de saúde, tivessem que se deslocar a concelhos vizinhos para serem atendidos. “As pessoas precisam é de um médico ao pé delas. A pouco e pouco as pessoas têm cada vez mais problemas de saúde e provavelmente algumas irão falecer porque os cuidados primários não existem. Estamos entregues à bandalheira total e à maior inoperância que podemos assistir”, afirmou.
Em resposta, Silvino Lúcio, defendeu que esta poderá ser uma solução viável e que já foi adoptada por outros municípios, nomeadamente por Porto de Mós. Referiu ainda que existem em Aveiras de Cima e Azambuja clínicas de saúde privadas. Além de estar a estudar esta nova medida, a Câmara de Azambuja tem em funcionamento o regulamento de incentivo à fixação de médicos que prevê ajudas ao pagamento de renda, atribuição de transporte, entre outras, e disponibilizou-se a pagar transporte a utentes que tenham que se deslocar a unidades de saúde fora do concelho quando houver garantias que vão ter consulta.

Utentes encaminhados para Benavente e Póvoa de Santa Iria

Recorde-se que os utentes que não têm médico de família em Azambuja estão a ser encaminhados para as unidades de saúde de Benavente e Póvoa de Santa Iria, no concelho de Vila Franca de Xira. A alteração tem causado indignação entre utentes que têm que fazer deslocações entre 30 a 40 quilómetros sem garantias de que vão ser atendidos.

Chega pede retirada de pelouro à vereadora da saúde

A vereadora do Chega na Câmara de Azambuja, Inês Louro, pediu ao presidente do município, no decorrer da última reunião do executivo, que retirasse o pelouro da saúde à vereadora socialista Ana Coelho, na sequência do agravamento da falta de condições no acesso a cuidados de saúde no concelho, considerando que esta “demonstrou não ter condições” para continuar nas funções.
Tendo em conta o panorama “de catástrofe” e do qual diz ter vergonha, Inês Louro criticou o facto de a vereadora Ana Coelho ter ido de férias numa “altura de crise” que deveria merecer “todos os esforços” para que fosse minorada. “Longe de mim querer renegar direitos consagrados como o do direito às férias, mas sei que o presidente não tem tempo para dedicar a atenção que a saúde merece”, afirmou, depois de ter sublinhado que há pessoas que podem “morrer sem apoio”, uma vez que devido à falta de médicos as pessoas não acedem a consultas “a tempo de prevenir doenças”.
Numa intervenção que denominou de “apelo”, Inês Louro sugeriu ainda que o pelouro da saúde fosse entregue ao vereador do PSD, Rui Corça, por este já ter afirmado que seria capaz de resolver o problema da falta de médicos no concelho. A sugestão de passar o cargo ao social-democrata foi imediatamente rejeitada pelo presidente da câmara, Silvino Lúcio (PS) que disse que não entregaria “nenhum pelouro, seja ele qual for, à oposição”. Além disso, continuou, acredita “fielmente” nas pessoas que com ele trabalham no executivo, destacando o empenho que a vereadora visada tem tido para com os problemas da saúde.

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