Sociedade | 28-09-2022 21:00

Festival de artes de rua estreou-se com sucesso em Tomar

A fanfarra tomarense Drama & Beiço animou os milhares de visitantes na primeira edição do Art’in Rua

Música, artes circences, fanfarras, estátuas vivas e street food animaram o final do Verão em Tomar. Adesão do público motiva município a dar continuidade ao Art’in Rua, que levou à cidade milhares de pessoas.

Decorreu no fim-de-semana de 16 a 18 de Setembro, em Tomar a primeira edição do Art’in Rua, uma fusão do festival de estátuas vivas com o festival de artes de rua Fanfarrão. Foram três dias de animação que levaram às ruas da cidade milhares de pessoas, não só a população local mas também muitos visitantes de outras localidades e turistas estrangeiros. O Art’in Rua reuniu a arte circense, música, fanfarras, estátuas vivas e “street food”, actividades concentradas em vários palcos do centro histórico – Praça da República, Várzea Pequena e Parque do Mouchão. Foi um final de Verão em cheio na cidade dos Templários.
Raquel e Marta são duas espanholas que espalharam magia junto ao rio Nabão, na ilha do Mouchão, com o seu espectáculo de marionetas, que deliciou crianças e os mais graúdos. “Gostamos muito de estar aqui em Tomar. Estivemos em Sintra e Alcobaça e de seguida iremos até Ovar”, disse a dupla de Barcelona a O MIRANTE. “Há cerca de oito anos que trabalhamos juntas. O truque das marionetas é praticar muito , mas não é mais difícil que outras artes, depende do grau de exigência de cada um”, contaram ainda as integrantes da companhia eLe.
A companhia Tá Bem Abelha jogava em casa. Foi responsável por três espectáculos que animaram pais e filhos no Palco do Mouchão. “Fazemos teatro e circo. Temos tido muitas apresentações aqui nas escolas da zona de Tomar e temos também muitos fãs na zona de Rio Maior, todos os natais vamos às escolas do concelho”, disse à nossa reportagem Pedro Borges, um dos dois membros dos Tá Bem Abelha. O palhaço Petrúcio, a sua personagem em palco, confidencia a O MIRANTE que “Tomar não tem a cultura da rua”, explicando: “já tentámos, pedimos a licença à câmara, mas ao fim de uma hora corremos o chapéu e conseguimos apenas 30 euros. É pouco para uma praça cheia de pessoas, não compensa. Vamos a outros sítios e costumamos conseguir 80 euros”.
As estátuas vivas, que até 2019 tiveram o seu próprio festival, foram outra das atracções do evento. Espalhadas pelo centro histórico e pelo Mouchão, as figuras presentes despertaram, como habitualmente, a curiosidade dos espectadores. Uma das mais contempladas foi o Navegador, interpretado pelo lisboeta Diogo Lemos. “Já faço esta estátua há uns seis anos. Sou formado em Teatro e tem tudo a ver com a minha área”, revelou o actor, que passou por alguns apuros na aventura tomarense: “houve uma senhora que me tentou fazer rir durante algum tempo. Foi por trás de mim e começou a mexer na minha espada. Não sei qual é a piada, mas situações destas não são raras durante as minhas actuações”.
No domingo teve lugar o Encontro de Bandas Filarmónicas, que serviu também para assinalar os 148 anos da Banda Republicana Marcial Nabantina. A banda convidada deste ano foi a Banda Marcial de Almeirim, que desfilou pela Avenida Marquês de Tomar, Corredoura e Rua Silva Magalhães, onde se uniu à banda anfitriã junto à sua sede. Os concertos decorreram no coreto da Várzea Pequena, onde se encontravam instaladas as barracas de “street food”, também bastante concorridas.
Mas nem só de artistas contratados viveu o Art’in Rua. O MIRANTE conversou com Lis Harris, uma tocadora de harpa que entreteve quem passava junto ao centenário Café Paraíso, na Rua Serpa Pinto, mais conhecida por Corredoura. “Nasci em Inglaterra, filha de pai alemão e mãe irlandesa. Estou a viver em Portugal há quase cinco anos, já me mudei cinco vezes. Neste momento vivo com os meus três filhos numa auto-caravana em Pelmá, no concelho de Alvaiázere, junto a uma casa que estou a reconstruir”, disse-nos a inglesa, que tem levado a sua harpa a Santarém, Leiria, Coimbra, Batalha, Fátima, Ourém, Entroncamento e Tomar.
O festival foi organizado pela Câmara de Tomar em conjunto com a Tenda Produções, agência que liga teatro e circo e que foi a responsável pela programação artística do fim-de-semana. Um dos grandes destaques do Art’in Rua foi o espectáculo Gente do Mar, da companhia de novo circo Laboratório, que une dança, música, teatro e acrobacia. A primeira apresentação decorreu no Convento de Cristo, no sábado, e a segunda encerrou o Festival, na Praça da República, tendo como pano de fundo o edifício dos Paços do Concelho.

“É preciso arriscar para crescer”
A vereadora responsável pelo pelouro da cultura fez um balanço muito positivo da iniciativa: “tivemos bastante adesão do público, não só dos tomarenses mas também de muitos visitantes que vieram à nossa cidade para vivenciar o festival. Recebi vários feedbacks da população a congratular o município por este incremento às estátuas vivas. As artes de rua são muito mais do que isso”, partilhou Filipa Fernandes na reunião de câmara na segunda-feira seguinte.
“É preciso arriscar, sair fora da nossa zona de conforto, para que possamos crescer e continuar a colocar Tomar no mapa do Mundo. Tivemos espectáculos internacionais com grande qualidade”, opinou a vereadora. Quanto aos custos, Filipa Fernandes lembrou que o evento foi financiado, pelo que um espectáculo desta qualidade ficou em apenas 30 mil euros. “O Festival de Estátuas Vivas já ia na casa dos 100 mil”, disse.
“Os restaurantes que abriram após a Festa dos Tabuleiros tiveram este fim-de-semana um recorde de receitas, o que é muito favorável para a nossa economia local, enquanto a indústria hoteleira registou uma taxa de ocupação elevadíssima, próxima dos 100 por cento”, ressalvou ainda Filipa Fernandes, que considera o festival merecedor de “continuar para o ano, depois de se avaliar o que terá corrido menos bem” nesta primeira edição.

Espectáculo Gente do Mar encerrou o festival na Praça da República
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Arlequim chileno Karcocha provocou muitas gargalhadas
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