Sociedade | 30-09-2022 12:00

Edição Semanal. Desrespeito por quem anda nos passeios continua a ser problema em VFX

Cerca de 40 alunos da Escola Básica Álvaro Guerra, em Vila Franca de Xira, participaram em iniciativa da junta de freguesia para assinalar o Dia Europeu da Mobilidade

Condutores estacionam em cima dos passeios e deixam quem tem mobilidade reduzida e as crianças obrigadas a caminhar pela estrada. Acção de sensibilização visou alertar para a necessidade de mudança de comportamentos.

Muitos condutores em Vila Franca de Xira continuam a desrespeitar o Código da Estrada ao pararem em cima dos passeios e a obrigar as pessoas com mobilidade reduzida e as crianças a terem de circular na estrada, situações que aumentam o risco de acidentes e chegam até a impedir que quem anda de cadeira de rodas possa ter o direito a circular.
Numa iniciativa promovida pela Junta de Freguesia de Vila Franca de Xira e inserida no Dia Europeu da Mobilidade quatro dezenas de alunos da Escola Básica Álvaro Guerra, de Vila Franca de Xira, estiveram nas ruas da cidade no dia 22 de Setembro a multar automóveis mal estacionados. A multa foi a brincar, mas o aviso foi sério e a Polícia de Segurança Pública acompanhou a acção, juntamente com membros da Associação Mithós. O objectivo foi sensibilizar os condutores para os problemas que os carros mal estacionados causam na vida da comunidade.
“Todos os dias passo por estas situações. Não consigo fazer o meu caminho diário para lado algum sem que tenha de abandonar a ideia de ir na estrada, é impossível”, confessa Paula Sequeira, 43 anos, presidente da Associação Mithós, colectividade focada na ajuda e exposição de problemas vividos por quem tem diversos tipos de deficiência. Paula Sequeira, que se desloca em cadeira de rodas eléctrica, sentiu imensas dificuldades para andar na cidade. Quer pelo estacionamento abusivo e errático dos condutores que têm tendência a estacionar “em qualquer lado que achem minimamente adequado”, quer pela falta de melhores acessibilidades, como rampas elevadas para os passeios e passadeiras.
Paula Sequeira conta a O MIRANTE que o processo de adaptação dos passeios e edifícios ainda é um processo moroso uma vez que envolve “uma longa máquina burocrática”. Para a dirigente é imperativo que se formem cidadãos atentos e preocupados com as necessidades de quem tem deficiência ou mobilidade reduzida. “Sei que as crianças saem deste evento com uma noção muito mais apurada do que é viver um dia na minha pele. Já perdi amigos na estrada que se viram forçados a lá andar com as cadeiras porque os passeios estavam ocupados”, critica.
Francisca Silva, subcomissária da 90ª Esquadra da PSP, de Vila Franca de Xira, explica que a falta de bolsas de estacionamento para servir o número de habitantes no concelho leva a muitos estacionamentos abusivos. Os dois a três elementos que patrulham as ruas diariamente têm de estar duplamente atentos de forma a evitar-se constrangimentos de circulação, tanto de veículos como de cidadãos com mobilidade reduzida. “O objectivo é que eles percebam que a polícia está cá para os ajudar naquilo que for necessário e esse é que é o grande objectivo e o principal benefício destas acções dirigidas às crianças”, explica.

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