Sociedade | 05-10-2022 12:00

Associação honra com arte vítimas do acidente ferroviário da Póvoa de Santa Iria

Ofélia Janeiro, que também foi vítima do acidente de comboio da Póvoa, é a vice-presidente da nova associação

Associação Memória é Cultura foi criada na evocação dos 35 anos daquele que foi um dos maiores desastres ferroviários em Portugal que ceifou a vida a 18 pessoas e causou 80 feridos na Póvoa de Santa Iria.

Honrar com arte e criatividade as vítimas do acidente ferroviário da Póvoa de Santa Iria de 1986 é o mote do programa de criação artística “Pantógrafo – Desafio Criativo”, lançado pela associação Memória é Cultura, criada em 2020. A associação reúne vítimas, familiares e pessoas da sociedade civil que foram directa ou indirectamente afectadas pelo acidente ferroviário. O objectivo da associação é preservar a memória do acidente e dinamizar um projecto vocacionado para jovens dos 15 aos 20 anos que culminará com a atribuição de prémios anuais aos artistas.
“Perdeu-se juventude e o que esses jovens poderiam ter dado à sociedade. É isso que queremos, recuperar esse tempo perdido, agarrar os nossos jovens e ajudá-los a fazer um caminho ligado às artes”, explica Ofélia Janeiro, vice-presidente da associação a O MIRANTE. A dirigente, que trabalha num laboratório de Física em Lisboa e vive em Alverca, foi ela própria vítima. Apesar de ter escapado apenas com ferimentos ligeiros, os traumas psicológicos foram mais profundos e difíceis de ultrapassar. “Perdi muitos amigos, colegas de escola e isso afecta-me a vida inteira. Aprendemos a viver com isso, são tragédias que podem afectar as pessoas a qualquer altura”, confessa.
Depois de vários anos sem conseguir andar de comboio Ofélia Janeiro já fez as pazes com as carruagens e hoje o comboio é novamente o seu principal meio de transporte para o trabalho. Foi na família e amigos que encontrou a força para ultrapassar a situação.

“Não foi feita justiça”
Por mais anos que passem há a sensação que não foi feita justiça no acidente da Póvoa. “No pós-acidente fui chamada para depor em tribunal mas recusei-me porque não devia apenas ter sido o maquinista o culpado. Houve um conjunto de circunstâncias que levaram ao que aconteceu e quem devia ter sido responsabilizado a sério era a CP e o Estado”, critica.
Grande parte das vítimas mortais do acidente era de Alverca e foi por isso que foi criado um monumento em sua homenagem junto à estação. A dirigente defende, no entanto, que seja criado um espaço semelhante na Póvoa dedicado a todas as vítimas. O presidente da Câmara de Vila Franca de Xira, Fernando Paulo Ferreira, esteve presente na apresentação do projecto, na tarde de sábado, 24 de Setembro, na Sociedade Filarmónica Recreio Alverquense, e diz que é uma ideia a analisar.
Já sobre o desafio criativo lançado pela associação Ofélia Janeiro não tem dúvidas: “A comunidade recebeu muito bem esta ideia. Queremos dar aos jovens um futuro ligado às artes e de captação de talento”, conclui.

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