Sociedade | 05-10-2022 10:00

“Descobrir que se tem cancro de mama é uma bomba que nos cai no colo”

Grupo de Apoio de Santarém da Liga Portuguesa Contra o Cancro vai realizar uma caminhada, a 15 de Outubro, em parceria com a Associação Comercial, Empresarial e Serviços de Santarém e o Ginásio 100%

O Grupo de Apoio de Santarém da Liga Portuguesa Contra o Cancro vai realizar uma Caminhada Solidária, a 15 de Outubro, no mês dedicado ao cancro da mama. O objectivo é alcançar o maior número de inscrições possível. O dinheiro angariado nesta causa solidária reverte para o Grupo de Apoio de Santarém que ajuda mulheres com cancro de mama a vencerem a doença. Rastreios e diagnósticos precoces são fundamentais para salvar vidas.

No primeiro semestre de 2022 das 7.529 mulheres com mais de 50 anos chamadas a fazerem o rastreio do cancro da mama no concelho de Santarém apareceram apenas 3.015, sendo que 15 tiveram biópsia positiva. Em 2021, das 4.792 convocadas apareceram 3.586 tendo sido detectado cancro em 11 dessas mulheres no concelho de Santarém e 74 no distrito. Os números são do Grupo de Apoio de Santarém – Vencer e Viver – da Liga Portuguesa Contra o Cancro que explica que estas mulheres descobriram o tumor numa fase precoce, o que permitiu tratá-lo atempadamente.
A nível nacional cerca de sete mil mulheres são diagnosticadas com cancro de mama por ano sendo que 1.800 morrem da doença. “É urgente continuar a trabalhar a prevenção do cancro da mama porque é assim que se chega mais cedo ao diagnóstico e isso faz toda a diferença para salvar vidas. O cancro tem que deixar de ser tabu, tem que ser cada vez mais falado para que mais pessoas sejam salvas”, afirma Carmo Couto, coordenadora do Grupo de Apoio de Santarém.
Os dados foram revelados durante a apresentação da caminhada que vai decorrer a 15 de Outubro pelas ruas de Santarém e que conta com a parceria do Ginásio 100% e da Associação Comercial, Empresarial e Serviços (ACES) de Santarém. A caminhada realiza-se há alguns anos mas as entidades envolvidas querem dar maior projecção ao evento e torná-lo anual e um dos principais da cidade. “Queremos que esteja envolvido o maior número de pessoas possível e queremos que Santarém se torne numa onda cor-de-rosa e alertar para a importância de prevenir o cancro de mama”, afirma Filipa Rodrigues, directora do ACES.
As inscrições já estão abertas e quem não puder participar na caminhada pode fazer uma inscrição solidária. O objectivo é angariar o maior número de dinheiro possível para ajudar o Grupo de Apoio de Santarém Vencer e Viver. Estão previstas surpresas ao longo da caminhada. Um dos objectivos da ACES é aproximar as pessoas, comunidade e empresários, a causas solidárias, dando-lhes visibilidade. Filipa Rodrigues explica que este vai ser um projecto-piloto, realizado apenas na cidade de Santarém, mas com o objectivo de alargar aos restantes concelhos que integram a ACES. “Só conseguimos chamar a atenção fazendo barulho, neste caso um barulho em cor-de-rosa que envolva a comunidade. Vamos encher a cidade de cor”, sublinha Filipa Rodrigues.

“Não é só a doente que é afectada pelo cancro”
Para se ser voluntária no Grupo de Apoio de Santarém é preciso já ter tido cancro de mama. “É fundamental saber o que é estar do lado da mulher que chega a pedir a nossa ajuda. Dizermos que já estivemos sentadas na mesma cadeira e que ultrapassámos a doença dá uma luz de esperança a quem está a passar pelo diagnóstico do cancro da mama”, conta Madalena Rhodes Sérgio, coordenadora do Vencer e Viver que foi diagnosticada há 20 anos, numa manhã apressada para ir trabalhar e quando nada o fazia prever. “É um diagnóstico tão inesperado. É uma bomba que nos cai no colo e só queremos ultrapassar aquele problema”, afirma.
Também Prazeres André, de 66 anos, é voluntária há quatro anos depois de ter sido diagnosticada com a doença. Estava a tomar banho quando se apercebeu de um alto na mama. Fazia exames no ginecologista uma vez por ano. Detectou o caroço em Janeiro e fez exames em Fevereiro. Retirou parte da mama e fez quimioterapia. Quatro anos depois ultrapassou a doença e ajuda quem está a passar pelo mesmo processo.
O Grupo de Apoio de Santarém Vencer e Viver também ajuda as famílias dos doentes, que sofrem igualmente muito com a situação. “Não é só a doente que é afectada pelo cancro. Toda a família é envolvida e sofrem tanto ou mais do que o doente. A incerteza do futuro, do resultado, do sucesso do tratamento, é tudo muito complicado de gerir por isso damos esse apoio”, explica Carmo Couto acrescentando que hoje em dia os doentes já chegam com a família. “Há seis anos vinham sozinhas e com muito medo”.

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