Parque do Vila Franca Centro vai ser vendido
Em 2019, antes do fim do mandato, Alberto Mesquita comprou o parque de estacionamento subterrâneo do Vila Franca Centro para o colocar ao serviço da cidade, mas agora o executivo tem novos planos e quer vender o espaço.
Depois de ter gasto 200 mil euros do erário público em 2019 a comprar o estacionamento subterrâneo do devoluto Vila Franca Centro, a Câmara de Vila Franca de Xira está a preparar-se para vender o espaço sem que nunca o tenha aberto ao público. A intenção foi avançada por Fernando Paulo Ferreira, presidente do município, numa reunião realizada à porta fechada na última semana entre a câmara e os condóminos do centro comercial.
Ao que O MIRANTE apurou, o novo presidente da câmara anunciou que o município vai pedir uma avaliação externa ao valor patrimonial do edifício para se tentar definir um valor por metro quadrado que permita ter uma noção do seu real valor, para que uma venda das lojas possa avançar. A novidade, no entanto, foi o autarca ter mostrado a sua disponibilidade para vender o estacionamento que o seu antecessor, Alberto Mesquita, comprara dois anos antes, com o argumento de que nenhum investidor estará disponível para comprar apenas parte daquele complexo. Por isso a câmara quer ser parte da solução, nem que para isso tenha de se livrar de um espaço que comprou e nunca serviu para nada.
Uma primeira avaliação do imóvel, que tem 216 fracções, situou-se num valor comercial a rondar os 666 mil euros, qualquer coisa como 34 euros por metro quadrado, valor que muitos proprietários disseram não concordar. A O MIRANTE o autarca confirma o pedido de avaliação e garante que o município se colocará ao lado de todos os vendedores. Quando for encontrado um comprador a câmara lembra que goza da possibilidade de accionar o direito de preferência.
Estacionamento foi miragem
O estacionamento do centro comercial começou por ser negociado em 2019 pela câmara com um preço a rondar os 800 mil euros. Após duros compromissos o município selou a compra por 200 mil euros. A perspectiva do então presidente da câmara, Alberto Mesquita, era abrir o espaço rapidamente para colocar os 100 lugares à disposição da comunidade com uma tarifa horária semelhante à praticada nas ruas Alves Redol e Serpa Pinto. Isto numa zona da cidade onde estacionar o carro é sempre um inferno.
Apesar da boa vontade, rapidamente o município percebeu que se tinha metido numa alhada: o espaço estava mais degradado do que o inicialmente previsto, com infiltrações profundas que só se poderiam resolver investindo muito dinheiro ou através de comparticipações do condomínio, o que seria uma missão impossível. Entre pinturas, arranjos e lavagens a operação de abertura do estacionamento custaria largas centenas de milhares de euros e isso pode ajudar a explicar a vontade dos novos autarcas de se livrarem do espaço.
Vila Franca Centro só durou vinte anos
O Vila Franca Centro foi edificado em 1994 e funcionou durante duas décadas. Ficou na história por ter sido o primeiro cinema do país a estrear a tecnologia de imagens de grandes dimensões (IMAX) mas foi sucessivamente definhando por causa do modelo de negócio adoptado – lojas vendidas a particulares ao invés de uma rotação de negócios como existe nos centros comerciais actuais – e em 2013 já só tinha duas dezenas de lojas abertas. A administração do centro, mergulhada em dívidas, abriu insolvência e o espaço fechou definitivamente em Outubro desse ano.


