Dia da Saúde Mental: “Valorizamos muito mais a nossa saúde física do que a mental”
Portugal é o segundo país da União Europeia com maior prevalência de problemas relacionados com a saúde mental.
Portugal é o segundo país da União Europeia com maior prevalência de problemas relacionados com a saúde mental. Segundo a directora de A FARPA, Filipa Martinho, ainda existe o estigma e preconceito em reconhecer que não estamos bem. Associação de Santarém inaugurou exposição sensorial que permite experimentar as sensações e pensamentos de quem se debate com doenças como esquizofrenia ou bipolaridade.
Existe cada vez mais uma predominância de doenças mentais,mas são desvalorizadas. A depressão e ansiedade são as doenças cada vez mais comuns. “A sociedade desvaloriza tudo o que está relacionado com saúde mental, mas Portugal é o segundo país da União Europeia com maior prevalência de problemas desta natureza. Valorizamos muito mais a nossa saúde física do que mental. Ainda existe o estigma e preconceito em reconhecer que não estamos bem perante os outros e a sociedade exige que estejamos sempre bem. Além disso, a própria pessoa também tem dificuldade em aceitar que está com um problema de saúde mental”, explica Filipa Martinho, directora de A FARPA – Associação de Familiares e Amigos do Doente Psicótico.
A FARPA inaugurou esta segunda-feira, 10 de Outubro, Dia Mundial da Saúde Mental, a exposição “Vi(r)ver a doença mental”, que está patente até 21 de Outubro, onde cada visitante pode ter uma experiência sensorial do que é ter uma doença mental como ansiedade, depressão ou até mesmo esquizofrenia. Filipa Martinho explicou a O MIRANTE que, “infelizmente”, ainda existe a ideia de que quem tem um problema mental e procura um psicólogo ou um psiquiatra “está maluco”. “Procurar ajuda médica deveria ser algo preventivo para nos ajudar a ter equilíbrio emocional, que é o que falta muito”, esclarece a psicóloga.
Filipa Martinho sublinha que a pandemia veio agravar a situação da saúde mental. No último ano A FARPA referenciou 158 pessoas e fizeram 1.338 intervenções com essas pessoas o que, segundo a directora, é um número muito elevado. Desvalorizar doenças como ansiedade, ataques de pânico ou depressão pode agravar a saúde mental da pessoa a longo prazo. Além disso, também afecta a produtividade laboral.
George Camacho, director do Instituto Politécnico de Santarém (IPS), onde está a decorrer a exposição sensorial, contou que alguns jovens do grupo de alunos que este ano – o primeiro pós-pandémico – foi estudar para o IPS já estão referenciados porque não estavam habituados a sair de casa, que era o seu local seguro. “A pandemia trouxe coisas boas como o comunicarmos à distância, mas falar através do computador não é o mesmo que o contacto de proximidade. “A relação humana, o toque, o contacto visual é muito importante e a pandemia roubou-nos isso, destacou George Camacho.
Filipa Martinho acrescentou a O MIRANTE que existe uma percentagem elevada de pessoas que se auto-medicam sobretudo com antidepressivo e ansiedade, medicamentos que ajudam a dormir, por exemplo. “É uma situação prejudicial e a pessoa não é bem acompanhada e acaba por criar dependência dos medicamentos. É um problema que tem sido difícil resolver”, conclui.


