Designação Convento do Carmo é uma mentira e uma deturpação da história
Chamar Convento do Carmo ao remodelado edifício do antigo hospital de Torres Novas, onde foram instalados diversos serviços municipais, é uma mentira e uma deturpação da história. Mas é o que consta no endereço dos serviços da autarquia ali instalados. A opinião é de um técnico superior do município e historiador, que reagiu de forma contundente a um e-mail interno da directora do Departamento Administrativo e Financeiro da autarquia.
Um técnico superior de cultura na Câmara de Torres Novas reagiu de forma contundente a um e-mail interno da directora do Departamento Administrativo e Financeiro, no qual transmitia a todos os funcionários a mudança do endereço oficial das novas instalações do município, designando-as por Convento do Carmo. Ora, o antropólogo e historiador João Carlos Lopes não esteve com meias medidas e mostrou a sua indignação pelo facto de a câmara insistir em chamar convento ao antigo hospital da cidade, entretanto reconvertido para acolher serviços do município. “Com o devido respeito, isso do ‘Convento do Carmo’ não existe, por muito que se queira fazer crer o contrário”, respondeu João Carlos Lopes à sua colega.
E prossegue: “como historiador, claro que não posso deixar de clarificar aquilo que é a verdade dos factos. O edifício em causa foi construído de raiz para hospital (trata-se, como se pode verificar, de um edifício hospitalar) sobre o espaço onde tinha existido um convento, à época completamente destruído fazia décadas. Do antigo convento não restou um prego, um tijolo, uma pedra. Não se trata de opinião, mas de factos históricos”.
A finalizar a resposta ao e-mail, João Carlos Lopes deixa ainda um recado: “Compete aos funcionários públicos, entre outras coisas, zelar pela boa imagem das instituições que servem: neste caso, a designação dada a uma instalação municipal assente numa mentira e numa deturpação da história, não se coaduna com a seriedade e honorabilidade da instituição”.
Contactado por O MIRANTE, o antropólogo e historiador referiu que o processo político começou a desenrolar-se ainda no tempo em que o socialista António Rodrigues era o presidente do município (hoje é vereador da oposição por um movimento independente). “Há 30 anos, para aí, ainda havia apoios, mas depois o Governo decidiu acabar com isso, nunca mais houve porque existiram abusos e construções faraónicas. Houve um pacto de regime entre o PS e o PSD e ficaram vedados quaisquer fundos para obras nos Paços do Concelho, nomeadamente fundos comunitários”, começou por referir João Carlos Lopes.
E como é que António Rodrigues deu a volta? “Combinou com Ana Abrunhosa, na altura presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) Centro, que aquilo era um equipamento cultural e na candidatura chamou-lhe ‘o edifício conhecido por Convento do Carmo’, o que era mentira, porque ninguém conhecia aquilo como “Convento do Carmo”, diz o técnico do município a O MIRANTE, continuando: “estiveram mais de cinco anos a fingir que aquilo era destinado à cultura, fizeram lá umas exposições e pronto, agora já assentou a poeira, já pode ir para lá a câmara”.
João Carlos Lopes reforça que é um erro chamar Convento do Carmo ao edifício do antigo hospital: “Não há um prego, uma pedra, não há nada que seja do antigo convento. Aquilo é uma construção hospitalar, moderna para a época. O hospital foi inaugurado em 1888 e era um dos mais modernos do país”.


