Sociedade | 07-11-2022 21:00

Edição Semanal. Atacada por cão à porta de casa em Benavente

Vítor Francisco é treinador certificado pela Direcção-Geral de Veterinária e falou a O MIRANTE sobre o comportamento de cães perigosos

Mulher foi mordida por cão nas escadas do prédio onde reside, no bairro da Ribasor, em Benavente. Vizinhança conta que o animal passeia sem trela e teme novo ataque. Autoridades registam em média quatro ataques de cães por dia e o treinador Vítor Francisco alerta para a necessidade da mudança de mentalidades na educação dos animais.

Uma mulher foi mordida por um cão de raça não identificada no bairro da Ribasor, em Benavente, tendo ficado com ferimentos que necessitaram de intervenção hospitalar. A vítima estava a subir as escadas do prédio onde reside, acompanhada do seu cão, quando o cão agressor a atacou, mordendo-a numa das pernas e ferindo também o seu animal. A mordedura do cão, que se suspeita não ter as vacinas em dia, provocou uma ferida que rapidamente contraiu infecção, levando a que a vítima tivesse de ser encaminhada do Centro de Saúde de Benavente para o Hospital de Santarém.
Não é raro acontecerem ataques de cães em Portugal e os que o fazem nem sempre pertencem a uma raça considerada potencialmente perigosa. No ano passado a Polícia de Segurança Pública (PSP) e a Guarda Nacional Republicana (GNR) registaram 1.494 ataques de cães o que, fazendo as contas, equivale a uma média de quatro ataques por dia. Ainda assim, houve uma diminuição em relação a 2020, com menos 24 ataques.
De acordo com as autoridades existem no país mais de 2.500 cães identificados como perigosos, o que implica que o animal tenha que ser passeado com trela e açaime e que seja treinado por um profissional certificado. Mas estas regras muitas vezes não são cumpridas, alerta o treinador o Vítor Francisco, sublinhando que um cão que atacou uma vez precisa de ser acompanhado por profissionais, caso contrário “é uma bomba relógio à solta”.
O treinador certificado pela Direcção-Geral da Alimentação e Veterinária (DGAV) diz a O MIRANTE que é fundamental, sempre que há um ataque, fazer denúncia às autoridades para que o animal possa receber o acompanhamento necessário à mudança comportamental. “Numa primeira fase o cão é posto em quarentena e a veterinária municipal decide se tem que ser treinado por um treinador reconhecido pela DGAV. O abate nunca é a primeira opção”, diz explicando que, por norma, só é aplicado em casos reincidentes e com comportamentos agressivos que causaram danos graves, o que também “é raro acontecer”.
Vítor Francisco salienta ainda que um cão que ataca outro animal ou um ser humano pode ser fruto de progenitores com características de insegurança, ter sofrido experiências traumáticas ou receber uma educação que não fomenta a boa sociabilização. “É preciso quebrar mentalidades. Um animal é um membro da família e, como tal, tem que ser cuidado, receber educação e ser ajudado quando precisa. E um cão que ladra ou ataca [na maioria dos casos] é porque não tem um comportamento estável e se sente inseguro, quer expulsar, defender-se”, sustenta, acrescentando que numa escola para cães a sociabilização é treinada.

Vizinhança teme novo ataque
No bairro onde ocorreu o ataque a 22 de Outubro, a vizinhança teme que o incidente possa voltar a registar-se, até porque é habitual o cão e um outro que pertence aos mesmos donos andarem no átrio do prédio e a passear sem trela na via pública. “A senhora ficou num estado lastimoso. A ferida infectou de tal maneira que não conseguem parar a infecção. Claro que temos medo que volte a acontecer”, diz o morador Manuel Martins a O MIRANTE, lamentando que a vítima não tenha apresentado queixa.
A escassos metros do prédio e no mesmo bairro onde se encontra este cão localiza-se a Escola EB 2,3 Duarte Lopes, um detalhe que na opinião de Vítor Francisco deve ser olhado como uma bandeira vermelha. “Um cão é um animal com instintos de predador. Ao andar sem trela pode correr na direcção de uma criança e a perseguição, que era inicialmente uma brincadeira, pode escalar para outra etapa e, num pico de tensão, pode não resultar num fim muito agradável”, adverte, acrescentando que a criança pode, numa situação dessas, vir a desenvolver um quadro de fobia.
Sobre a não utilização de trela – obrigatória por lei e punível com multa até 3.740 euros para pessoa singular ou 44.890 euros para pessoa colectiva – o treinador considera que é um acto de negligência e de falta de respeito pelos outros utilizadores da via pública por parte dos proprietários dos animais.

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