Sociedade | 09-11-2022 12:00

Família de Alverca vive em condições desumanas

Jorge Silva e a mãe, Deolinda, vivem em condições desumanas e estão impedidos de fazer obras de melhoria

Comunidade quer ajudar família a fazer pequenas reparações em casa mas não o pode fazer porque a habitação não está licenciada.

Jorge Silva e a mãe, Deolinda Silva, vivem às portas de Alverca numa habitação sem o mínimo de condições de salubridade, com sanitários improvisados e onde chove como na rua. O caso social não é novo mas tarda em ser resolvido e tem gerado preocupação na comunidade do Adarse, bairro às portas de Alverca onde o casal reside há mais de meio século. As pessoas da terra já arranjaram tintas, pincéis e cimento para ajudar Jorge e Deolinda, de 87 anos, a fazer pequenas obras que, pelo menos, impeçam a chuva de entrar, mas dizem que assim que tentaram arranjar a habitação foram impedidos pelos serviços municipais. “Não podemos fazer aqui obra porque a casa está ilegal”, lamenta Jorge Silva a O MIRANTE.
Na zona existiam cinco habitações semelhantes que foram demolidas na última década e os moradores realojados em habitações municipais. “Infelizmente, no nosso caso a casa nunca chegou. A Maria da Luz Rosinha prometeu-nos que iam resolver a situação mas até hoje nada e a casa está cada vez pior”, lamenta Jorge Silva a O MIRANTE. O morador tem tentado encontrar trabalho mas por ter mais de 50 anos está a sentir dificuldades. “Dizem-me sempre que sou demasiado velho e aqui estou”, lamenta.
O município confirma a O MIRANTE que a situação é conhecida pelos serviços de acção social e que já foram realizadas várias visitas domiciliárias ao casal, incluindo pelo serviço de fiscalização. Os serviços confirmam que o munícipe apresentou candidatura ao concurso de habitação de 2015 mas que não o fez em 2017 e 2020. “A câmara dispõe do Serviço de Atendimento e Acompanhamento Social Integrado em co-coordenação com a Segurança Social e a presente situação é acompanhada pelo programa de policiamento de proximidade e com a área da saúde. No entanto, os apoios a atribuir estão condicionados, neste caso, pela resistência da idosa em sair do local”, explica a câmara.
A resposta surpreendeu Jorge Silva, que garante que a vontade de sair da habitação é inegável face ao estado de degradação da mesma. “As pessoas estão a voltar-nos as costas”, lamenta, emocionado. O município diz que a resposta de emergência social é disponibilizada pelo Instituto de Segurança Social após análise e avaliação do técnico gestor do processo familiar e que só poderá ser accionada em concordância com os próprios ou através de deliberação do Ministério Público.

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