Sociedade | 09-11-2022 18:00

Tomar afasta ideia de que há vários guetos na cidade

O realojamento das famílias de etnia cigana que viviam nas barracas do Flecheiro continua a ser um tema quente em Tomar. Há críticas de estarem a ser criados vários guetos na cidade. Vice-presidente da autarquia desmente e salienta que município é uma referência na integração social.

O desmantelamento das barracas do Flecheiro que acolhiam cerca de 55 famílias de etnia cigana (cerca de 230 pessoas) continua a dar que falar em Tomar. Alguns dirigentes políticos, ligados sobretudo ao principal partido da oposição (PSD), afirmam que não estão a ser respeitadas normas europeias no realojamento das famílias e que estão a ser criados vários guetos pela cidade de forma ilegal, uma vez que “não é permitido alojar etnias em bairros exclusivos para elas”.
Contactado por O MIRANTE, Hugo Cristóvão, vice-presidente da Câmara de Tomar, é peremptório ao afirmar que o município tem vindo a fazer o oposto. “Temos vindo a eliminar um gueto (Flecheiro), com perto de cinco décadas e onde viviam em finais de 2013, momento do início da actual governação, cerca de 230 pessoas ignoradas pelo poder político local”, sublinha, acrescentando que nesse ano a autarquia detinha cerca de 150 fogos de habitação social, sem que algum fosse ocupado por qualquer família desta etnia, “que sempre foi excluída de qualquer processo de realojamento”.
Hugo Cristóvão diz que estão a seguir o exemplo de boas práticas nacionais e internacionais e por isso têm sido considerados referência nesta matéria, a ponto de Tomar ter, em 2018, passado a ser o município representante da Associação Nacional de Municípios no Conselho Consultivo para a Integração das Comunidades Ciganas (CONCIG), e ter, em 2021, sido seleccionado pelo Alto Comissariado para as Migrações (ACM) para coordenar um grupo nacional de municípios para as boas práticas de integração social.

Meio milhão gasto no realojamento de famílias
Em Tomar há cerca de duas centenas de fogos de habitação social municipal. Para conseguir dar resposta às necessidades da população, foi aumentada a equipa do gabinete municipal de serviço social e foi criado um departamento exclusivo para a habitação. “É por isso que promovemos e praticamos o trabalho em rede com diversas entidades das áreas da educação, saúde, segurança social, emprego e formação profissional e também policiais, entre outras da sociedade civil, como IPSS’s, por exemplo, que mais directamente trabalham com esta população”, afirma.
O autarca revela a O MIRANTE que faltam apenas realojar 7 das 55 famílias que há 10 anos viviam na zona do Flecheiro. Em relação ao investimento efectuado, Hugo Cristóvão diz que versou principalmente na recuperação de imóveis devolutos, nos dois bairros sociais e fora deles, bem como de algumas habitações recebidas noutro bairro anteriormente pertencente ao Instituto de Segurança Social. “Nesta linha de actuação, o principal gasto foi de recursos humanos, também muito com a colaboração da junta de freguesia urbana (União de freguesias de São João Batista e Santa Maria do Olival), trabalho que tem vindo a ser feito ao longo destes anos. Gastos financeiros directos diria que, em números redondos, cerca de meio milhão de euros”, esclarece.

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