Sociedade | 10-11-2022 15:00

Engenheiros e economistas ignoram Santarém e tomam posição por aeroporto em Alcochete

Carlos Mineiro Aires, natural de Abrantes, preside à comissão de acompanhamento da comissão técnica. Secretária de Estado do Desenvolvimento Regional, Isabel Ferreira, esteve em Ourém mas recusou-se a falar sobre o aeroporto em Santarém

Numa altura em que se fala que Portugal vai ter uma população de apenas 8 milhões de habitantes em 2050 a possibilidade da construção de um aeroporto internacional em Santarém é considerada a maior medida de descentralização do país desde que vivemos em democracia.

Um aeroporto na região Centro, uma das mais desertificadas do país, serviria para que de Lisboa a Coimbra, Portugal se transformasse de forma radical num território com mais oportunidades para quase metade da actual população.

No dia a seguir ao Conselho de Ministros ter aprovado uma resolução que promove a análise estratégica e multidisciplinar do aumento da capacidade aeroportuária da região de Lisboa, que aconteceu a 29 de Setembro, a Ordem dos Engenheiros e a Ordem dos Economistas emitiram um comunicado conjunto em que tomam partido pela solução do aeroporto em Alcochete, sem referirem o nome, adiantando que não acreditam em soluções duais que, segundo também adiantam, “podem comprometer o adequado desenvolvimento económico e social de Portugal”. O comunicado conjunto resultou de uma conferência realizada no dia anterior na sede da Ordem dos Engenheiros.
Embora a comunicação das duas Ordens acabe a concordar com a metodologia do Governo anunciada para a localização do novo aeroporto não deixa de ser estranha a tomada de posição em favor de Alcochete sem conhecerem ainda a solução proposta para o aeroporto em Santarém. A 2 de Outubro, em entrevista à TSF e JN, o bastonário da Ordem dos Engenheiros, Fernando de Almeida Santos, voltou a admitir que a solução Santarém “deve ser estudada desde que seja realista”, mas depois afirma, na qualidade de cidadão, que acha “estranho pensarmos que Santarém possa ser uma boa solução, pelo facto de estar praticamente a 80 km do centro da capital portuguesa, dando como exemplo o caso de Madrid e Paris que têm os principais aeroportos a cerca de 30 minutos das capitais.
Aeroporto em Santarém seria uma pedrada no charco
O MIRANTE tentou nos últimos dias falar com alguns membros do Governo relativamente ao futuro aeroporto de Lisboa em Santarém, mas todos os interlocutores recusaram sequer falar sobre o assunto. O caso mais caricato foi o da secretária de Estado do Desenvolvimento Regional, Isabel Ferreira, que se deslocou a Ourém no dia 2 de Novembro, que com a desculpa da pressa, e do “tenho que me ir embora porque estou atrasada”, não admitiu sequer uma palavra sobre o assunto.
Recorde-se que desde que é conhecido o projecto para a implantação de um aeroporto internacional em Santarém, alguns sectores importantes do país viram nessa iniciativa uma forma de Portugal, pela primeira vez desde a democracia, já lá vai quase meio século, assumir um projecto estruturante fora de Lisboa que seria um sinal de crescimento de quase metade do país, já que um aeroporto em Santarém serviria toda a área metropolitana de Lisboa mas também toda a região Centro que sofre graves problemas de desertificação.
Recorde-se que a zona centro do país, em que se incluem Santarém e Coimbra, é das que mais sofre com a desertificação, e que em termos estatísticos será a região que mais vai contribuir para que em 2050 a população portuguesa possa estar reduzida a oito milhões de habitantes, segundo estudos recentes.

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