Sociedade | 11-11-2022 12:00

Ateneu Vilafranquense com perda de público inexplicável e preocupante

Adesão ao concerto de Álvaro Cortez ficou aquém das expectativas da organização mesmo com entradas livres

O auditório do Ateneu Artístico Vilafranquense (AAV), a maior sala de espectáculos do concelho de Vila Franca de Xira, está com dificuldade em cativar público e perdeu espectadores em comparação com os tempos pré-pandemia. Os recentes concertos de Paulo de Carvalho e Álvaro Cortez não chegaram a ter meia casa ocupada, mesmo com entradas gratuitas…

O auditório do Ateneu Artístico Vilafranquense (AAV), a maior sala de espectáculos do concelho de Vila Franca de Xira, está com dificuldade em cativar público e perdeu espectadores em comparação com os tempos pré-pandemia. Os recentes concertos de Paulo de Carvalho e Álvaro Cortez não chegaram a ter meia casa ocupada, mesmo com entradas gratuitas e bilhetes a preços reduzidos, como foi o caso do concerto do consagrado Paulo de Carvalho que teve bilhetes a 5 euros.
Se a situação não se inverter rapidamente a associação poderá começar a enfrentar dificuldades para suportar os custos inerentes à conservação e manutenção do maior auditório do concelho. Os dirigentes da colectividade dizem não estar a compreender o fenómeno numa altura em que quase todos os espectáculos ao ar livre estão repletos. Não descartam que possa estar a haver uma má divulgação dos eventos junto da comunidade mas a verdade é que nem os eventos divulgados amplamente pela câmara, como o espectáculo de um dos maiores percussionistas da actualidade, Álvaro Cortez, que foi gratuito, sentou mais de 58 pessoas num auditório com 500 lugares. E com Paulo de Carvalho não foi melhor, com apenas um terço da ocupação total da sala a ser ocupada quando antes da pandemia teria lotado o espaço.


“As pessoas simplesmente não têm aparecido”
José Ferreira, presidente do Ateneu, diz não encontrar explicação, que não passará apenas pelas dificuldades financeiras das famílias, já que os espectáculos gratuitos também não têm tido adesão. Garante que desde o desconfinamento tem notado que o Ateneu deixou de encher.  “Não entendo o que possa afastar as pessoas do Ateneu. Apresentamos espectáculos com artistas de alta categoria, com anos de experiência e provas dadas no seu percurso artístico. As pessoas simplesmente não têm aparecido, apesar de todos os nossos esforços em promover constantemente os eventos e de procurarmos ser ecléticos nas escolhas que apresentamos. Mesmo assim, parece que não tem sido suficiente, o que nos deixa num futuro incerto”, lamenta a O MIRANTE. 
O dirigente não compreende esta nova realidade pois sente que muita gente continua a ir a Lisboa ver os mesmos concertos que tem à porta de casa, por vezes até mais caros, já que a câmara e o Ateneu têm apostado em levar eventos de qualidade ao concelho com preços reduzidos. “Não colocamos preços altos por termos noção da frágil situação financeira do país, mas mesmo assim não aparece mais público. Tenho as minhas dúvidas que consigam encontrar muitos lugares onde artistas deste calibre façam espectáculos por este preço. Se cobramos é porque cobramos, se é gratuito o público não aparece. Os artistas têm de ser pagos na mesma, portanto quem fica prejudicado são os organizadores”, lamenta.

Álvaro Cortez deu espectáculo
Tomás Figueiredo, Duarte Almeida, André Correia, Catarina Correia e Mónica Jesus são alunos e membros da banda do Ateneu e como tal sentiram que tinham a oportunidade ideal para poder ouvir e aprender com Álvaro Cortez, um artista de renome internacional e assistiram ao concerto de dia 29 de Outubro. “Portugal não faz só atletas de excelente qualidade, também faz músicos de excelente qualidade, e é uma pena não ter tido mais público porque é um concerto que certamente o merecia”, lamenta Tomás Figueiredo.
Já Carla e Carlos Aparício, casados há três décadas, decidiram marcar presença no evento para relaxar de uma semana de trabalho complicada. “A pandemia veio para ficar e não podemos deixar que restaurantes, museus ou cinemas paguem as contas do ar, só tenho pena que esta sala estivesse quase às moscas com tamanho talento a actuar”, lamentam.

Contas equilibradas apesar das dificuldades

Durante o período pandémico, à imagem do que sucedeu por todo o país, o Ateneu teve de fechar portas. Sem receitas, a associação correu o risco de não voltar a abrir porque não tinha fundo de maneio para fazer face às despesas mais básicas. Através de um investimento coberto de risco, o Ateneu conseguiu manter-se à tona na expectativa de atingir um ponto de equilíbrio entre as dívidas e os ganhos. “Felizmente conseguimos saldar as dívidas, não devemos nada a ninguém mas os patamares dos nossos eventos, apesar da sua alta qualidade, não têm vindo a atrair tantas pessoas como o esperado, o que é uma desilusão para nós”, comenta José Ferreira.

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