Sociedade | 13-11-2022 18:00

Moradores privados do direito ao descanso por causa de fábrica em Benavente

Em 2019 O MIRANTE esteve nas casas dos moradores queixosos, Joaquim Duarte (à direita) e Fernando Cabaço

Habitantes da Quinta da Brasileira dizem que vivem atormentados pelo barulho da maquinaria da Silvex, instalada junto às suas moradias. A empresa de produção de produtos em plástico pôs em prática um projecto de alterações para acabar com o ruído, mas quem ali vive garante que continua a não ter direito ao descanso. Silvex rejeita acusações de exceder o limite de ruído estabelecido por lei.

Alguns moradores da Quinta da Brasileira, no concelho de Benavente, continuam a queixar-se do ruído da laboração da empresa de produção de produtos em plástico, Silvex, instalada nas proximidades das suas habitações. A maquinaria ruidosa e a constante entrada e saída de viaturas pesadas, inclusive durante a noite, acabaram com a paz que procuravam encontrar numa zona mais periférica da vila. A empresa, por sua vez, rejeita acusações de exceder o limite de ruído permitido por lei.

A residir numa das moradias mais próximas da fábrica, Joaquim Duarte tem sido a voz mais activa das reclamações, que já deram origem a medições de ruído e a que a Silvex começasse a implementar um projecto de alterações para insonorização das instalações. O problema é que pouco ou nada resolveram. “Neste momento estamos em zero. É mentira, não fizeram nada”, disse o morador na reunião do executivo da Câmara de Benavente de 7 de Novembro, pedindo ao presidente do município que perdesse algum tempo para ir a sua casa comprovar que o problema persiste. “Está a causar-me problemas familiares graves, não vai ser fácil se as coisas continuarem assim”, sublinhou o munícipe, acrescentando que, de facto, houve um período em que os ruídos eram “mais reduzidos”.

Contactada por O MIRANTE, a Silvex garante que “tem investido e continuará a investir, sempre que for considerado necessário, dezenas de milhares de euros para minimizar o impacto da sua operação”, no sentido de assegurar o melhor bem estar de toda a vizinhança, mesmo estando dentro do definido legalmente. “Implementamos um conjunto de medidas durante o ano de 2021 e 2022 que permitiram minimizar significativamente as emissões de algumas fontes de ruído, como por exemplo, silenciadores acústicos nas condutas de ar, mantas acústicas”, refere Hernani Magalhães, presidente do conselho de administração da Silvex.

Hernani Magalhães afirma ainda que só tem conhecimento de um vizinho, e que é sempre o mesmo (Joaquim Duarte) e que, segundo o próprio, reside naquele endereço desde 2012, sendo que nessa altura a Silvex já era constituída por seis edifícios e não um como próprio indica. Logo após a primeira reclamação, sustenta, a empresa mandou efectuar uma medição de ruído a uma empresa independente.

“A empresa é importante mas tem de cumprir com regras”

O presidente do município recordou que o projecto de intervenção foi apresentado à autarquia e que chegaram a visitar a fábrica quando 80% das medidas a que se propunham estavam implementadas. Carlos Coutinho salientou que do ponto de vista da manutenção e criação de postos de trabalho aquela fábrica é importante para o concelho, mas que esse facto não pode acabar com o direito ao sossego da população residente.

Para o autarca da CDU, acabar com o ruído “é uma questão de investimento”, até porque, sustentou, existem fábricas instaladas junto a habitações que já no passado foram incómodo para a população e que deixaram de o ser com uma aposta na melhoria da insonorização das instalações. “A nossa vontade de resolver mantém-se, a empresa é importante mas tem de cumprir com regras”, reforçou o vereador Hélio Justino, depois de adiantar que em Fevereiro deste ano foi pedida uma nova medição de ruído à Comunidade Intermunicipal da Lezíria do Tejo.

Já em 2019, tal como O MIRANTE noticiou, a empresa não reconhecia alguma vez ter “emitido qualquer ruído a qualquer hora, que tenha ultrapassado os limites legais”, sublinhando o investimento contínuo para “reduzir muito abaixo dos mínimos legais qualquer ruído”, de modo a “assegurar o bem-estar de toda a vizinhança”. No ano passado, os moradores queixosos fizeram chegar à Câmara de Benavente um documento assinado onde demonstram o seu descontentamento com o barulho excessivo e a localização da fábrica numa zona residencial.

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