Sociedade | 15-11-2022 15:00

É preciso preservar na Torre do Tombo o processo do atentado contra o Papa

É preciso preservar na Torre do Tombo o processo do atentado contra o Papa
Juiz Presidente da Comarca de Santarém, Luís Miguel Caldas, defende que processo do atentado contra o Papa João Paulo II, em Fátima, deve ser arquivado na Torre do Tombo

Para que o processo-crime da tentativa de assassinato do Papa João Paulo II em Fátima, julgado no Tribunal de Ourém há 40 anos, seja preservado para o futuro e fique acessível a quem o quiser consultar, é preciso que seja colocado no arquivo nacional.

O juiz presidente da Comarca de Santarém, que gere os tribunais do distrito de Santarém, quer que o processo do atentado contra o Papa João Paulo II, em Fátima, seja arquivado na Torre do Tombo. Luís Miguel Caldas pretende entregar os documentos ao director-geral do Livro, Arquivos e Bibliotecas, Silvestre de Almeida Lacerda, para que este possa ficar disponível no arquivo nacional, em Lisboa. A situação foi comunicada na abertura das segundas Jornadas de Direito Criminal da Comarca de Santarém, que decorreram em Ourém e que assinalaram os 40 anos do processo-crime do atentado perpetrado pelo Padre Juan Fernández Krohn.
A conservação dos arquivos é uma questão que também é de grande importância para o presidente do Supremo Tribunal de Justiça. Henrique Araújo sublinha ser fundamental que se faça um esforço para a preservação do património judiciário. O juiz espera que as jornadas possam ter servido de “mote para todo o imenso trabalho arquivístico que se encontra por fazer”.
O julgamento do Padre Krohn decorreu no Tribunal de Ourém entre 20 de Outubro de 1982 e 2 de Maio de 1983. O padre foi detido no dia 12 de Maio de 1982 quando tentava aproximar-se de João Paulo II com um sabre confessando a intenção de matar o Papa. Foi condenado a uma pena de seis anos e seis meses de prisão (pelos crimes de homicídio qualificado, na forma tentada, e de detenção e uso de arma proibida), acrescida da condenação por injúrias ao tribunal, que culminou numa pena única de sete anos de prisão e 90 dias.
O julgamento foi o primeiro em que se sentiu a pressão mediática e em que a justiça começou a relacionar-se com a comunicação social, como destacou a jornalista Rita Marrafa de Carvalho, co-autora do documentário “Padre Krohn, 40 Anos Depois de Tentar Matar o Papa”. O facto de os jornalistas estarem presentes e poderem captar imagens durante o julgamento “é uma forma de as pessoas se sentirem mais próximas do sistema judicial e sentirem-se elas próprias integrantes de algo que faz parte, que é basilar, da democracia portuguesa”, considera a jornalista da RTP.
António dos Santos Cabral, juiz que constituiu com Políbio Flor e Joaquim Soares Rebelo o colectivo que julgou o caso, destacou o “impacto mediático” do processo: “Foi o primeiro em que houve esta interacção entre o tribunal e a comunicação social e a opinião pública”, recordando que sabendo isso os depoimentos de Krohn eram feitos de forma a passar uma “mensagem ao Mundo”. A ministra da Justiça considera que foi este julgamento que levou a “uma mudança de paradigma” fazendo com que a justiça seja “mais mediatizada” e que os cidadãos estejam “mais atentos e mais informados”. Catarina Sarmento e Castro é da opinião que só uma justiça mais acessível e mais próxima, com uma linguagem mais simples, clara e transparente ajuda a evitar controvérsias e ser compreendida.
Para assinalar a efeméride decorre este mês de Novembro, no Castelo de Ourém, uma exposição onde se pode ver o sabre da baioneta de espingarda com que Juan Fernández Krohn tentou matar o Papa, o seu

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